Cannes 2016 l A mulher à frente do cinema?

Documentário Et la femme créa Hollywood em contraste com a desigualdades de gênero no cinema. E apenas três mulheres na disputa pela palma de ouro.


Imagem com data desconhecida no documentário Et la femme créa Hollywood 


O documentário Et la femme créa Hollywood, de 52 minutos, realizado pelas irmãs Clara Kuperberg e Julia Kuperberg, foi elaborado a partir de um conjunto de documentos, vídeo e imagens que mostram a ascensão da mulher no início do cinema de Hollywood, em torno dos anos 30. O filme é um dos selecionados do Cannes Classic, uma seleção do festival relacionada às recriações de grandes clássicos e documentários dentro dessa esfera. 
De acordo com o  journal des femmes, esse documentário destaca as produtoras, diretoras e outras técnicas que construíram Hollywood, enfatiza que nos anos 30 as mulheres estavam à frente do entretenimento americano. O intuito dessa produção é destacar essa parte da história, quase esquecida, através de imagens de arquivos e depoimentos. Você pode ver o Teaser do documentário aqui no link do Vimeo
Dessa forma, o documentário contrasta com própria realidade do festival que hoje conta com apenas três mulheres na direção dos filmes selecionados em Cannes, isso nada mais é do que reflexo da triste realidade marcada por desigualdade no mercado comercial cinematográfico atualmente. Ou seja, enquanto no início das produções do cinema, as mulheres estavam à frente do mercado cinematográfico, a realidade hoje, devido ao sexismo e aos preconceitos, foi empurrando a mulher pra longe dos cargos de liderança na esfera do cinema. 
Das três diretoras que concorrem ao grande prêmio em Cannes está Maren Ade, da Alemanha, com o filme Toni Erdmann, a diretora já ganhou Grand Prix do Júri . Outra na disputa é Andrea Arnold (O Morro dos Ventos Uivantes; Aquário, do Reino Unido, com o filme American Honey, um dos destaques esse ano. Andrea já ganhou prêmio do Jurí, prêmio BAFTA e Oscar de melhor curta-metragem. A terceira que também concorre a palma de ouro, é Nicole Garcia, francesa, com o filme Mal de Pierres. Nicole é atriz, diretora e roteirista e já tem uma longa experiência no cinema. 
No Festival de Cannes de 2016, apenas três diretoras disputando a palma de ouro, ainda é muito pouco. Principalmente, considerando o número de graduandas de cinema que existem hoje. Uma pesquisa realizada pela European Woman’s Audiovisual Network constatou que apenas um em cada cinco filmes na Europa são dirigidos por mulheres, apesar de as diretoras comporem 44% dos graduados em cinema. 
Os investidores se negam a contratar mulheres se justificando pelo alto  risco da bilheteria. Mesmo considerando que os filmes com direção feminina tendem a ganhar mais prêmios. Os estúdios continuam inclinando para filmes liderados por homens. E, infelizmente, o mercado cinematográfico, se já foi liderado por mulheres, atualmente, é marcado por muito sexismo. As mulheres precisam se apropriar do espaço que é já foi delas, e retomar o seu espaço no cinema. 

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