Sem categoria

Stonewall | Crítica do filme, 47 anos de uma luta que não acaba


CENA DO FILME STONEWALL





Estamos em Junho e no dia 28 vai fazer 47 anos que aconteceu a Rebelião de StoneWall, no bairro Greenwich Village, em Manhattan, Nova York. Foi lá que se deu uma das primeiras e grandes rebeliões, se não o mais importante manifesto de luta pelos direitos LGBTs, a partir dessa rebelião que temos atualmente a parada gay. O filme Stonewall narra esse acontecimento histórico por meio de Danny, interpretado por Jeremy Irvine, um menino que veio de uma cidade pequena e estava pra entrar na faculdade, quando seu pai o expulsa de casa, já que Danny foi visto fazendo sexo oral com seu amigo Joe.



POLICIAIS VASCULHANDO O BAR STONEWALL, 1969




Danny então vai para Nova York para estudar na Universidade de Colômbia e ele, que é enrustido, se depara com  homossexuais que vivem nas ruas de Nova York e Drag Queens. Danny fica assustado com a liberdade deles, que já inicialmente, parecem ser meio inconsequentes. A escolha de Emmerich ao escolher Danny, que é um personagem fictício e que não é o melhor representante daqueles que vivenciaram o conflito é controversa.



Ao mesmo tempo que um personagem enrustido cheio de limitações possa delinear outra perspectiva do conflito, por outro lado, o diretor foi muito superficial e não mergulhou com sensibilidade nas características e realidades dos participantes da rebelião. De qualquer jeito, a ideia de começar o filme por outra perspectiva que não a óbvia, ou seja, por um garoto que vem de uma cidade pequena é muito boa, mas diversas vezes o filme perdeu o foco para os conflitos do menino, deixando de mostrar, de forma mais profunda, as péssimas condições as quais os homossexuais tinham que se sujeitar naquela época porque, inclusive, estava na lei. 







Outra questão é que, por vezes, parece que o filme debocha de certas coisas, talvez não de forma proposital, mas existe essa impressão. Como, por exemplo, nos momentos da rebelião em que os personagens começam a rir, quem vai sorrir sendo agredido por policiais? Talvez tenha faltado mais seriedade no filme, assim como faltava seriedade para os direitos reivindicados pelos homossexuais naquela época e assim como falta ainda atualmente. Muita gente morreu nesses conflitos, muitas pessoas se machucaram, não foi tão pacífico como o filme mostra. Nem pra todos terminou com um final feliz. 



Na década de 60 os atos homossexuais eram ilegais em quase todos os estados americanos,  a homossexualidade era vista como doença mental, a homossexualidade era ligada a infelicidade e ainda hoje podemos ver reflexos disso. Os bares gays eram a forma que os homossexuais tinham para fugir dos olhares de reprovação. Danny resolve ir para Nova York dentro desse contexto porque Nova York era o lugar em que tinham mais gays e lésbicas procurando seu espaço. Ao se deparar com garotos que foram largados desde cedo como Ray, que se torna seu melhor amigo, Danny fica em conflito com tudo que tinha aprendido ou visto e as atitudes dos meninos para sobreviver e isso é o que o diretor chama mais atenção, para os conflitos de Danny. 



STONEWALL, DÉCADA DE 60





Um dos absurdos foi a Lei de 1845 que torna crime de estado se travestir, três peças do vestuário teriam que ser do seu sexo senão você estaria infringindo a lei , Emmerich mostra isso no filme, principalmente, nas cenas em que os policiais entravam no bar Stonewall. A dificuldade para usar a roupa que quisesse era tão forte que os policiais, naquela época, se transvestiam, iam para rua,  como disfarce para pegar as Drag Queens. Marsha P. Johnson, uma das primeiras ativistas relacionada à causas dos trangêneros e das Drag Queens é representada no filme, sendo uma das pessoas que Danny conhece na rua mas é um personagem em que não deram a devida importância.



Stonewall foi ápice, foi a gota d’água, àquelas pessoas se rebelaram pela primeira vez contra tudo que tinham sentido, pelas todas as agressões policiais, os olhares, os xingamentos, ser despedido do trabalho e, principalmente, por não poder amar. A direção do filme é de Emmerich, o cineasta alemão é assumidamente homossexual e é famoso por fazer filmes de catástrofe, ficção científica e ação, como 2012 e Um Dia Depois de AmanhãNão se pode culpar o filme por não ter sensibilizado, mas é perceptível que por mais que Emmerich  tenha trago todos esses elementos históricos foi de forma muito superficial, foi mais uma análise histórica pouco profunda que realista. 


Comente aqui!!!!