Sem categoria

Equals | Um filme para se sentir

No Brasil, alguém achou que faria mais sentido traduzir o título desse filme para Quando eu Te Conheci. Não. O título em português não faz jus ao filme. Aliás, tenta transformar uma história extremamente intensa e profunda em um simples romance. Uma pena, porque esse filme é muito mais que um romance, muito mais.



Depois de uma guerra que dizimou grande parte da população e deixou inabitável a maior parte da Terra, uma pequena ilha passou a concentrar o que sobrou da humanidade. Cientes do risco que somos a nós mesmos, cientistas passaram a inibir o gene que ativa nossas emoções ainda durante a gravidez, fazendo com que as pessoas nasçam livres de sentimentos que possam prejudicar o convívio pacífico entre as poucas pessoas que sobraram na Terra. Uma questão de sobrevivência.
Entretanto, como qualquer processo evolutivo, algumas pessoas ao longo da vida acabam tendo o gene reativado por motivos desconhecidos e passam a “sofrer” com as emoções mais corriqueiras. Para casos como esse, existem “guardas” incumbidos de reconhecer os desvios e separar os “infectados”, que recebem medicações inibidoras que tentam retardar os estágios desta doença. Sem contar que todos são condicionados a denunciar possíveis problemas de comportamento.
Silas (Nicholas Hoult) sofre um pequeno acidente e ao se consultar com um médico, descobre que desenvolveu a doença. Com isso, sensações que ele antes desconhecia, detalhes que ignorava, prazeres, angústias, desejos, alegrias e tristezas começam a aflorar. É então que ele nota Nia (Kirsten Stewart), sua colega de trabalho e passa a enxergá-la como nunca havia feito antes.
Equals é um filme para poucos. Um filme que conversa com o espectador através dos closes desfocados, da mudança do tom das luzes do ambiente, do silêncio, da expressão dos atores, da falta delas e da sutileza em que elas passam a se apresentar, sendo possível identificar as nuances das emoções que Nia e Silas tentam conter para não serem denunciados.
A história pode muito bem ser tirada do contexto distópico em que está inserido e transportada para a nossa sociedade atual, onde expressar sentimentos, emoções, admitir o amor incondicional ou a paixão arrebatadora, a depressão incontrolável ou superficial, a tristeza e a felicidade sem motivo aparente, têm se mostrado cada dia mais sinais de fraqueza e loucura.
Adorei ver como o diretor Drake Doremus conduziu a história, cujo diálogo com o espectador acontece nas nuances, já que as falas são curtas e de assuntos aleatórios, ficando a cargo dos sorrisos sutis, dos encontros furtivos, dos rostos desconfiados dos outros, dizer o que está acontecendo de verdade.
Equals é um filme para se ver e, principalmente, sentir. De preferência, veja com alguém que goste, pois isso faz toda a diferença.
Aproveite para me seguir nas redes sociais:

Comente aqui!!!!