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Crítica “O Mecanismo” – A série que joga toda a merda no ventilador, finalmente chegou

A justiça tarda, e às vezes é falha

José Padilha apresentou seu novo projeto de forma tímida,
sem dar muitos detalhes da nova produção em parceria com a
Netflix, brasileira
e que tratava do maior escândalo de corrupção nacional, a
lava-jato. A série
veio rodeada de mistérios, mas apostando alto no marketing e com um elenco
digno de tirar o chapéu.

Mas chegou, e “O Mecanismo” é, pra mim, a segunda melhor
obra de José Padilha, perdendo apenas para “Tropa de Elite.”

Na trama, Selton Mello é Marco Ruffo, um delegado da Polícia
Federal
  que, após se tornar obcecado com
o caso que investiga, envolvendo o doleiro Roberto Ibrahim em um esquema de
lavagem de dinheiro que poderia levar a investigação a “peixes maiores”. Ruffo
é dispensado da Polícia Federal depois que Ibrahim faz um acordo de delação
premiada com o Ministério Público, mas que na verdade não entrega ninguém.

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Vale lembrar que Ruffo perde, digamos, a sanidade quando a
injustiça e a corrupção ganham e ele não consegue fazer nada a respeito. Se
você observasse seu país afundando e fosse impedido de fazer qualquer coisa
quando na verdade, sabe exatamente o que fazer. Também não perderia a calma?

Depois disso, Ruffo sobrevive por 10 anos, tendo que
sustentar a família com uma filha deficiente e apenas recebendo o salário da
aposentadoria por “transtorno bipolar de personalidade”. Você só ajuda o
estado, e no final das contas de 20 anos de serviço você consegue o quê?
Comprar um carro velho e um sitiozinho no interior do Paraná
pra tentar dar um futuro pra sua filha. O estado é ridículo mesmo, né?

Mas como o Ruffo mesmo diz, uma hora dá merda.


Aí é que entra, pra mim, a melhor personagem da série.
Caroline Abras interpreta a amiga e ex parceira de Ruffo, Verena Cardoni, que
agora é delegada da PF. Verena finalmente consegue prender Ibrahim novamente,
após um deslize idiota, e não só ele que roda dessa vez não. E outra coisa,
dessa vez a delação premiada funciona, e muito bem.

“O Mecanismo” é uma série original da Netflix que conta com
8 episódios e foi lançada no último dia 23 de março e que desde o início havia
me chamado a atenção, seja pelo fato de gostar de dramas policiais ou de querer
entender mais sobre toda a história da lava-jato. José Padilha entregou pra
todos uma série que mostra o quão fundo a corrupção no governo brasileiro
chega, e ela assusta.

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Selton Mello, Caroline Abras e Enrique Díaz me surpreenderam
com as melhores atuações que já vi em muito tempo. O doleiro interpretado por
Díaz com a personalidade calma e sarcástica, onde você não sabe se sente raiva
ou adora o personagem.



Fotografia e trilha sonora também marcam presença nos
elogios que a série deve receber, com uma ressalva pra mixagem de som; pô
Netflix, eu quase não conseguia ouvir os diálogos do Selton!!!



Mas “O Mecanismo” é a típica série que é inspirada em fatos
reais que irritou metade do país e fez a outra rir, sem ao menos saber que o
problema não se trata de direita ou esquerda, de um partido ou de outro. O
mecanismo afeta e arrasta todos que caem no seu funil, e ninguém é inocente no
meio de tudo.

A série te prende, te faz querer entender e querer justiça.
Te faz torcer, se irritar quando o sistema judicial falha. Te faz querer
mudança sobre toda a roubalheira existente.
E é com esse desejo de mudança que conseguiremos.

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