Crítica

CRITICANDO | A Mula – Você faria qualquer coisa para não perder o que tem?



A pergunta do título parece um tanto quanto romântica, mas você realmente já parou para pensar nisso?


Leo Sharp coleciona uma série de honras que vão desde de prêmios por seus trabalhos como paisagista e decorador até o reconhecimento por ter lutado contra os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, foi aos 90 anos que conquistou algo surpreendente: ele foi preso por portar o equivalente a três milhões de dólares em cocaína no seu carro, uma picape velha, no Michigan. Sharp era o líder do Sinaloa, um cartel de drogas no México e foi sentenciado à três anos de cadeia.


O filme é bem simples, assim como as direções do Clint Eastwood costumam ser, mas talvez esse seja seu maior pecado.


Temos uma parte técnica sem chamar muita atenção, apesar de bem filmado, uma trilha sonora muito presente sendo inclusive parte ativa da narrativa. Câmeras sempre objetivas, sem nenhuma inovação e aqui não é preciso.


O drama familiar é bem construído, você sente como a ausência do personagem principal carrega todo o peso da narrativa nas costas, com umas pitadas ácidas de crítica a esteriótipos, Clint carrega o filme em suas costas uma vez que o núcleo em que ele está é o que mais ganha atenção e lhe dá tempo de brilhar.


Mesmo a anos sem atuar você consegue ver que o homem ainda entrega uma performance boa, segura e apesar de parecer sem brilho, os detalhes da fragilidade estão presentes a todo momento. O filme faz questão de esquecer aquele cara durão de Gran Torino e te entrega quase que uma versão de adeus de Eastwood.


A parte dos cartéis parecia promissora, porém foi deixada muito de lado para entregar no seu final mais dos policiais envolvidos na perseguição, um erro, já que é uma parte muito mal aproveitada deixando apenas que o carisma de Bradley Cooper seja suficiente para te fazer comprar a história. Lawrence Fishburne faz aqui uma das suas atuações mais apagadas e esquecíveis.


O tom do filme pode não agradar a todos, sendo uma mistura de drama com “road movie” é lento e direto. Não se preocupa em te fazer se sentir aflito o tempo inteiro, apesar da crescente tensão em seu final que culmina em um final fora da curva. Não por ter um plot twist inacreditável mas sim por ser simples e sem apelo visual nenhum, apenas realista e cruel.


O retorno de Clint as telas não é primoroso, não é grande mas é satisfatório e agradável. Se você for fã do estilo dele, com toda certeza vai gostar do filme.


Dirigido por Clint Eastwood (Gran Torino) e com elenco de Clint Eastwood (Gran Torino), Bradley Cooper (Nasce Uma Estrela), Laurence Fishburne (Matrix), Michael Peña (Homem Formiga) entre outros e estreia no dia 14 de fevereiro de 2019.


NOTA: 3/5

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