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REVIEW | The Good Doctor – A Sensibilidade nos Extremos (2° Temporada)

A primeira temporada de The Good Doctor foi uma explosão. Bem recebida pelo público e críticos seja pelo roteiro sensível ou por, em resumo Freddie Highmore. Ela conseguiu se manter em relevância, e inovar em um gênero que vive a sombra de produções gigantes como ER e Grey’s Anatomy.

Minhas principais queixas quando uma produção desse gênero estreia é a falta de profundidade nos personagens principais. Conhecemos eles no hospital mas fora dele, se torna uma incógnita. E por mais interessante que os casos semanais sejam, eles não podem de forma alguma segurar a audiência para sempre. E é aí que entra a vida pessoal dos médicos. A única constante em uma série dessas.

The Good Doctor acerta nesse ponto ao explorar todos os lados de seus personagens dentro e fora do hospital e consegue com um bom e coerente roteiro, construir, desconstruir e evoluir cada um deles.

Todo o núcleo de Dr. Glassman foi sincera e bem realizada. Como um homem independente já em idade avançada se ver refém e dependente do incerto, sua atuação ficou a altura do que foi exigido e nos tira a principal reação desejada. O de empatia. E falando em empatia, acredito que seja a grande mensagem que esse segundo ano desejou passar.

Ao mesmo tempo em que torcemos para que Glass viva, nos perguntamos o que sua morte faria para Shaun. Claro, querer ver seu limite ser explorado é inerente ao telespectador mas ao mesmo tempo querer vê-lo perder o equilíbrio nos tornaria apenas cruéis e avidos por um show? Onde mora nossa empatia? Até onde ela é justificável ou pode ser torcida?

Shaun evoluiu muito nessa temporada. De lidar com seus sentimentos com Lea e com a possível morte de seu amigo. Há ser questionado quanto sua capacidade de relacionamentos e comunicações no trabalho. De ser questionado se ele podia ou não ser um cirurgião por causa do seu autismo. E é aí que chega a grande chave da temporada, Dr. Han. Dr Han chega trazendo mudanças e aumentando a pressão dentro do hospital. Desconhecemos suas motivações internadas para colocar Shaun no banco, mas nos faz questionar se suas decisões podem estar corretas. Sabemos do que Shaun é capaz, mas sabemos até onde? Ele seria capaz de amadurecer e ultrapassar seus limites?

Ver Shaun caindo e se perdendo foi brutal e difícil, mas necessário. Não só abriu os olhos de muitos dos médicos que o tratavam com cuidado e ignorância mas também os forçou a tomar lados. Uma das cenas mais poderosas foi quando Shaun finalmente explodiu com Han e disse aos gritos que era um cirurgião. Palmas para Freddie que nunca deixa de fazer uma atuação menos que espetacular. É ali que vemos que Han estava certo mas apesar disso, todos se uniram para ajudar Shaun a ficar. Por que apesar de não ser como eles, ele era parte deles. Um cirurgião e um amigo.

Empatia é necessário. A segunda temporada de The Good Doctor se eleva, subindo degraus de excelência e entregando um ano mais humano, mais sensível e disposto a arriscar

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