Crítica

Crítica | Compra-me Um Revólver – Quase um Mad México

É muito comum que os cineastas projetem as suas maiores paixões nas obras que estão realizando. Não seria diferente com Julian Hernandes Córdon. O diretor que nasceu nos Estados Unidos, mas se naturalizou mexicano, ficou famoso por Te Prometo Anarquia (2015) e Gasolina (2008) mas só em Compra-me Um Revólver (2019) conseguiu expurgar de si suas fascinações de infância, realizando uma versão mexicana de Mad Max, com uma pitada de As Aventuras de Huckleberry Finn e referências à Star Wars.

Compra-me Um Revólver tem um México pós-apocalíptico como cenário. Huck, uma garota, que não chega a ter 10 anos, precisa sobreviver ao feminicídio, a guerra das máfias e a dependência química de seu pai. A jovem é interpretada por Matilde Hernandez, filha de Córdon.

Eu sempre fico com pé atrás quando homens cineastas tentam escrever e dirigir sobre pautas femininas, principalmente quando o ponto de vista é centrado por uma mulher. É raro que o resultado seja positivo. Neste caso, o incomodo não é gigantesco, mas também não passa ileso. Huck é única, quer dizer, quase a única personagem feminina presente no longa, e a situação se agrava quando você percebe que ela passa mais da metade do filme fingindo ser um garoto. Pode-se até questionar, que é por um bom motivo, já que o plot do filme retrata o assassinato em massa de mulheres. Na vida real, o feminicídio no México é um dos mais altos do mundo. É impossível não me questionar se o filme não seria mais interessante se tivesse uma mulher no comando.

A ápice do filme é a maneira como o diretor consegue explorar sofrimento e desespero e ainda entregar a sensação de esperança de um pai viciado e sua filha jurada de morte. A abordagem de Córdon é delicada, dando espaço para momentos de alegria. E após 90 minutos de filme, o espectador deixa a sala de cinema com o sentimento de esperança, esperando uma sequência que resolva as pontas soltas.

Apesar de ser uma mistura de filmes e livros que influenciaram Julian, o Compra-me está longe de ser tachado como cópia, plágio ou releitura. O longa tem personalidade própria, conexões inteligentes e detalhes precisos. Um exagero futurístico mais perto do presente, do que do futuro.

Compra-me Um Revólver tem sua estreia marcado para o dia 30 de maio.

Nota: 3,5/5

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