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Crítica: Rocketman – Como se faz uma biografia musical!

Sem ter medo de ser brega e grandioso assim como seu homenageado, Rocketman é tudo que Bohemian Rhapsody deveria ter sido.

” A trajetória de como o tímido Reginald Dwight (Taron Egerton) se transformou em Elton John, ícone da música pop. Desde a infância complicada, fruto do descaso do pai pela família, sua história de vida é contada através da releitura das músicas do superstar, incluindo a relação do cantor com o compositor e parceiro profissional Bernie Taupin (Jamie Bell) e o empresário e o ex-amante John Reid (Richard Madden). “

Sir Elton John sempre foi agressivo em palco, extravagante, grandioso e espalhafatoso, sua cinebiografia não seria diferente.

O filme é basicamente um flashback e em seus primeiros 5 minutos já deixa muito claro o tom que vai ser dado a tudo aqui. Nada parecido com documentário e sim muito mais levado para o lado Broadway da coisa.

Indo desde a infância do cantor o filme não se torna clichê das histórias de origem porque ele não se deixa ser só mais um. Ele é grandioso até na simplicidade. Escolhendo a dedo todas as canções (inclusive já disponibilizadas na internet) cada momento é sublime e feito com a emoção de cada momento da vida que vai sendo mostrado.

É um filme acalorado, sem passar pano o filme mostra o abuso de droga, as orgias e sexos casuais e principalmente o alcoolismo do cantor. Nisso vem o destaque total e completo para Taaron Egerton que possui todo espaço do mundo para brilhar. Atuando, cantando e dançando o ator incorporou trejeitos que só os fãs mais atentos de John podem perceber. O jeito que sorri, que arqueia as sobrancelhas, que faz parecer que o ator passou horas vendo entrevistas sobre o artista. É bem verdade que fisicamente eles não se parecem nada um com o outro e se me permitam dizer, nosso Sir deixou-se levar um pouco pela vaidade na escolha do seu protagonista.

Todo o elenco de apoio vai bem, com três destaques: Bryce Dallas como a mãe nada amorosa do cantor, Jamie Bell como o melhor amigo de John e Richard Madden como o amante. A primeira dá um show de interpretação uma vez que ela assim como Taron são os que mais tem o tempo passando em tela, então ela tem que agir como mãe solteira nos anos 50, depois tem que ir mantendo a pose sem perder a “nojentice” apresentada. Bell é o braço direito na trama. Ajuda o personagem a crescer e ter algumas viradas de roteiro. Madden acaba sendo o bonitão primeiro amor de Elton. Responsável direto por algumas cenas de intensidade de emoções do personagem (SEM SPOILERS GALERA) se segurando como um galã meio “por fora” da história.

No aspecto técnico como o filme é muito exagerado a única coisa que chega a REALMENTE incomodar é uma cena inteira de câmera girando em um cenário em CGI que é de deixar tonta qualquer pessoa normal. Ainda sobre os defeitos, talvez eu tenha me incomodado com a versão infantil do protagonista, que apesar de cantar apenas duas músicas conseguiu quase me tirar do clima em uma cena muito importante.

Apesar de seus tropeços para não ser o filme perfeito, Rocketman é o que mais chega perto disso se comparado a seu artista. Considerando que o próprio Elton John é produtor executivo a verdade que se passa ali é muito grande. Não parece uma história de massagem de ego e sim um abraço a seus próprios demônios e as pazes com seu eu do passado.

Extremamente emocionante, engraçado, corajoso e sem medo de mostrar o lado ruim, Rocketman consegue ser muito melhor que o antecessor musical “Bohemian Rhapsody” (mesmo dirigido pela mesma pessoa) tanto tecnicamente quanto emocionalmente. Se você é fã VEJA. Se você não é fã VEJA E CONHEÇA O ARTISTA.

Dirigido por Dexter Fletcher (Bohemian Rhapsody*) e com elenco contando com Taron Egerton (Kingsman), Jamie Bell (Quarteto Fantástico), Richard Madden (Atentado em Paris), Bryce Dallas Howard (Jurassic World) entre outros o filme estreia dia 30 de maio de 2019.

NOTA: 4.5/5

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