Crítica

Crítica | Graças a Deus – Você ainda acredita n’Ele?

Alguma vez você chegou a ir ao cinema, leu o aviso que o filme era baseado em uma história real e ao terminar de assistir não saiu da sala abalado? Eu particularmente não lembro de alguma exceção antes e nem depois de “Graças a Deus”.

Em 2015, na cidade francesa Lyon, um escândalo envolvendo o padre Bernard Preynat veio à tona. O sacerdote recebeu acusações de pedofilia em abusos cometidos entre 1986 e 1991; e é essa história abordada pelo novo filme de François Ozon.

“Graças a Deus” é compromissado com os fatos. Não poupou nomes, rostos e nem os abusos. Ozon expõe a linearidade do acontecimento de acordo com a vida real e te mostra que o filme é uma denúncia fidedigna à realidade de dezenas de garotos abusados por Preynat. O longa escancara a falha da igreja francesa, chegando a incomodar o cardeal francês Philippe Barbari que em vão tentou barrar o lançamento do filme. Barbari foi condenado por encobrir os casos de abuso sexual.

Como obra cinematográfica, “Graças a Deus” é extremamente pensado e auto justificado. Planos, enquadramentos e diálogos maturados pela genialidade e bom gosto de Ozon. A beleza arquitetônica das catedrais lyonnais com o contraste de acontecimentos terríveis e perversos que aconteceram naquele lugar transborda para o pensamento de como a fé e a religião conseguem ser esplêndidas e problemáticas ao mesmo tempo.

Como o restante da obra, a narração dos fatos, feito em voice-over (quando o personagem fala, mas não está em cena), é realizada de forma sutil, por meio da troca de e-mails entre personagens. Assim, o público fica ciente do andamento da história sem explicações banais e redundantes.

Questionar os tabus católicos, do ponto de vista cristão e ateísta ao mesmo tempo é o jeito que François Ozon encontrou de denunciar algo inaceitável como a pedofilia. Não existe certo e errado quando se trata de maltratar pequenas crianças. Porém ao fazer a transição  para outras questões como “é possível acreditar em Deus, depois de tanto sofrimento?” o cineasta francês se embanana e não nos responde. Bom, eu não o culpo. Você o culparia?

“Graças a Deus” estreia 12 de junho nos cinemas.

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