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PRIMEIRAS IMPRESSÕES | Euphoria- Quando saber qual o limite? (1×1)

Euphoria se perde em meio ao peso quase desnecessário das cenas e em alguns momentos, gratuito, que rolam sem parar durante um episódio de quase uma hora

Depois de muito pensar cheguei a conclusão que seja qual for a mensagem que Euphoria queira passar, se perde em meio ao peso quase desnecessário das cenas e em alguns momentos, gratuito, que rolam sem parar durante um episódio de quase uma hora.

Mas calma. Isso não quer dizer que a nova produção da HBO estrelando Zendaya (O Rei do Show), seja ruim. Ela é ótima.

Roteiro bom, apesar de ser descompromissado com suas consequências futuras. Mesmo que a emissora avise que a série possa causar alguns gatilhos isso ao meu ver não a isenta da responsabilidade com seu público. Assim como 13 Reasons Why (1° temporada) que gerou massiva polêmica, Euphoria não fica atrás. Acredito que a diferença entre 12RW e Euphoria, está na atmosfera, no desenvolvimento de seu piloto e mensagem clara que é passada. Uma possui uma finalidade, e a outra não.

Em 12RW (1° temporada) sabemos que não é uma história feliz e que a morte de uma garota vítima de bullying e violência sexual levou toda uma comunidade ao colapso e a abrir os olhos para um verdadeiro e na maioria das vezes ignorado problema. Suicídio, depressão e bullying são reais e pode acontecer com qualquer um.

Em Euphoria, infelizmente senti pouca sensibilidade em tocar no tema proposto. Logo de cara fica claro que erroneamente diagnosticada quando criança, Rue ainda jovem começa a ser jogada em um tratamento medicamentoso extenso e absurdo. Sua evolução para drogas ilícitas é quase esperado. Uma evolução natural. É muito fácil se viciar em remédios controlados, mas em algum momento eles não são o suficientes e a busca por algo mais, é o novo destino.

2+2

Todo o núcleo de Rue foi direcionado a chocar e criar empatia por ela. Mas ainda é uma situação precária e que requer cuidado ao invés de admiração. Romantizar um vício beira ao irresponsável.

E não parando em Rue. Temos Jules, uma personagem bissexual (interpretada por uma atriz transgênero), que logo de cara tem um encontro com um homem mais velho onde ela é em resumo estuprada, mas novamente a série não é sensível em mostrar isso mas insinua a normalidade numa situação absurda e revoltante.

Em contra partida numa cena quase semelhante, outro casal se forma e após um mal entendido narrado com tensão e preconceito, onde a personagem Cassie é tratada como vulgar apenas por ter seus nudes vazados.

Claro, tudo isso acontece na vida real. Ninguém é hipócrita ao pensar que não. Mas atualmente, vivemos em um mundo onde tudo é tão acessível, que expor dessa forma todos esses temas, cru e sem limites, soa insensível e faz toda beleza e potencial de uma produção se tornar feia. Além de pecar pela gratuidade em maior parte de seu piloto.

Não há profundidade mesmo quando ela tenta ser. Ao contrário, Euphoria se empolga no erro em expor demais.

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