Especial

Quem é Jonas Åkerlund, o gênio dos clipes pop

Quando uma cantora pop, um rapper ou uma banda de rock lançam um incrível videoclipe, todos os créditos vão imediatamente para o artista principal. O que poucas pessoas sabem é que o responsável pela maior parte do trabalho é do diretor, função que comanda e organizar todo o processo artístico da obra, assim como em grandes filmes.

Quando uma cantora pop, um rapper ou uma banda de rock lançam um incrível videoclipe, todos os créditos vão imediatamente para o artista principal. O que poucas pessoas sabem é que o responsável pela maior parte do trabalho é do diretor, função que comanda e organizar todo o processo artístico da obra, assim como em grandes filmes.

Nesta semana, Madonna lançou God Control, o quarto clipe da era Madame X. No vídeo a rainha do Pop faz uma crítica ferrenha à política armamentista dos Estados Unidos. Todos nós sabemos que Madonna é uma cantora totalmente envolvida na criação artística e visual de suas obras, mas uma boa parte da genialidade de God Control se deve ao diretor: Jonas Åkerlund.

Åkerlund nasceu na Suécia em 1965 e além de dirigir filmes e videoclipes, também é roteirista e já foi baterista de heavy metal nos anos 80, mesma época em que dirigiu seu primeiro vídeo: “Bewitched” da banda sueca Candlemass. Logo no início da década de 90, Jonas trabalhou em diversos vídeos com a banda Roxette, mas foi apenas uma década depois do início de sua carreira, que o diretor ganhou notoriedade mundial dirigindo o polêmico “Smack My Bitch Up” para o grupo britânico The Prodigy. Listado como um dos mais controversos do mundo, o clipe de quase cinco minutos é gravado na perspectiva de primeira pessoa e aborda grandes tabus da época como cenas de uso de substâncias químicas, sexo lésbico explícito e vandalismo. 10 anos depois, em 2009, Åkerlund volta a dirigir cenas de sexo explícito em videoclipes, desta vez para música “Pussy” da banda alemã Rammstein.

Apesar de ter incomodado muita gente, seu trabalho com o The Prodigy agradou Madonna que o convidou para dirigir “Ray of Light“, o segundo single de seu álbum homônimo. A americana gostou tanto do trabalho de Åkerlund que o convidou parar dirigir mais oito de seus clipes, fazendo com que o diretor comandasse vídeos de todos os álbuns da Madonna, com exceção do MDNA. Para Jonas, Madonna é sua cliente favorita.

“Ela sempre tira o melhor de mim. Tem uma ambição de fazer grandes vídeos e sempre pensa de maneira visual”.

Jonas Åkerlund sobre Madonna

Antes do maravilhoso “God Control”, Jonas e Madonna também fizeram um apelo contra a cultura de guerra em “American Life”, sem dúvida um dos clipes mais polêmicos da carreira da cantora. O cenário principal do vídeo é um desfile de moda onde quem desfila são militares e crianças do oriente médio, tendo como montagem paralela imagens reais de guerra. Ao final do clipe, Madonna joga uma granada no colo de um sósia do ex-presidente estadunidense George W. Bush, mas como o vídeo foi gravado pouco antes da invasão do Governo Bush no Iraque, a Warner Bros Music decidiu retirá-lo de circulação.

Após ter filmado “Music”, “Celebration” e “4 Minutes” com Madonna, Jonas Åkerlund se viu no meio da maior rixa pop dos últimos tempos: Gaga versus Madonna. O diretor sueco foi convidado para dirigir os icônicos Paparazzi e Telephone da cantora nova iorquina e por isso foi bombardeado para saber de que lado do feud estava.

“Eu realmente não gosto de comparar os artistas que trabalho, mas tenho certeza é que Gaga é uma artista muito talentosa e trabalha arduamente. Isso me faz lembrar de Madonna”.

Jonas Åkerlund sobre rixa entre Gaga e Madonna

O diretor revelou que Gaga foi responsável por o fazer continuar no ramo: “Eu tinha desistido de dirigir videoclipes, mas a Lady Gaga me fez mudar de ideia. Ela foi a primeira artista a dizer ‘foda-se a MTV, vamos usar a internet como plataforma’. Trabalhar com ela foi como começar do zero”.

Em entrevista recente, ele revelou alguns segredos sobre a participação de Beyoncé no grandioso “Telephone”. Segundo Åkerlund a cantora de “Formation” teria uma cena glamourosa no deserto, mas o pôr-do-sol atrapalhou a gravação e por isso gravaram num quarto de motel improvisado. Ele também conta que Beyoncé não participou ativamente do processo criativo e apenas apareceu no set para as filmagens.

A experiência de Jonas com a esposa do Jay-Z não se limita em “Telephone”. O diretor trabalhou com Beyoncé em vídeos dos álbuns visuais “Beyoncé” (2013) e “Lemonade” (2016).

“Fui trabalhar com a Beyoncé muito tarde. Mas ela é muito inspiradora, ela é aquela artista megalomaníaca quando se trata do visual. Não é como se já soubéssemos o que fazer, mas a gente descobre trabalhando juntos”.

Jonas Åkerlund sobre trabalhar com Beyoncé

Para Beyoncé e Jay-Z, Åkerlund também dirigiu o especial “On The Run Tour”, exibido na HBO. Além do show do casal Carter, Jonas também é responsável pela captação da “1989 World Tour”, performada pela Taylor Swift e shows de Madonna, Paul McCartney e Rammstein.

Gravar shows é um desafio porque é quase igual gravar fogos de artifício. Obviamente ver fogos de artifício presencialmente é mais interessante do que ver na TV.

Jonas Åkerlund sobre gravar concertos

“Beautiful” da Christina Aguilera, “Sober” da P!nk, “Hold It Against Me” da Britney Spears e “Praying” da Kesha, são outros clipes de música pop dirigidos por Jonas Åkerlund que assume ter nesta forma de linguagem sua maior paixão: “Eu sempre gostei da ideia de usar imagens para contar uma história que vai te afetar usando a música como base e o artista como narrador”.

Mas não é só de videoclipes que sua filmografia é composta. Jonas Åkerlund já lançou três longas: a comédia Spun (2002), a cinebiografia Lord of Chaos (2018) e Polar (2019). Apesar de ser um diretor versátil ele avisa que fazer videoclipes é o que ele mais gosta: “Eu ainda acho que é a forma mais livre de se fazer filmes e por isso vou continuar fazendo até eu perceber que não tenho mais nada a oferecer”.

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