Cinema Crítica

Crítica | Inocência Roubada – A união entre o teatro e o cinema

Adaptar uma peça teatral para o cinema não é exatamente a coisa mais fácil do mundo. A técnica de atuação, o timing do humor e as transições de cenas são alguns dos pontos onde as duas linguagens se diferem. Quando descobri que iria assistir “Inocência Roubada”, adaptação da peça francesa “Les Chatouilles (Ou la danse de la colère)”, fiquei atento para perceber como a adaptação seria feita.

Assim como a peça, que em tradução livre significa cócegas (ou a dança da raiva), o filme foi dirigido pela dançarina Andrea Bescond e seu marido Eric Métayer. A sinopse é muito parecida com a história de vida da Bescond: uma mulher que encontra na terapia e no balé a coragem para enfrentar o amigo de sua família que diversas vezes a molestou na infância.

Ao assistir fica nítido que o longa é derivado do teatro e muitas soluções de adaptação são feitas com excelência. As transições de espaço e tempo se misturam com flashbacks milimetricamente pensados e bem desenvolvidos Jogos de passado, presente, realidade e fantasia se encontram numa montagem digna de Academy Awards. O que pode não funcionar tão bem são alguns diálogos, alívios cômicos e interpretações lúdicas típicas de teatro, mas que na telona não imprimem tão bem.

O enredo é bastante emotivo e já aviso que algumas cenas podem ser gatilhos para vítimas de abuso sexual. A atuação de Bescond (sim, ela protagoniza o filme) e do restante do elenco está no ponto certo e nos transmite as sensações e emoções de cada personagem de maneira justa e humanizada. Destaque para Cyrille Mairesse, que interpreta a protagonista ainda criança e para Karin Viard que faz a matriarca da família.

Inocência Roubada é um daqueles filmes que faz criar empatia em qualquer coração frio e desejo pela arte em qualquer leigo. É uma explosão artística com dança, teatro, música e cinema da melhor qualidade.

Inocência Roubada estreia dia 25 de julho nos cinemas.

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