Cinema Crítica

Crítica | Os Dois Filhos de Joseph – Crise Existencial de Hétero Branco

O que leva um espectador ir ao cinema? Muitos vão para assistir ao filme novo de seu diretor favorito, outros vão enaltecer a atuação de sua atriz predileta. Tem gente que resolve ir ao cinema quando lê a sinopse de um filme específico, criando uma rápida conexão e empatia com a história. Foi assim que garotos gays assistiram “Com Amor, Simon” ou nordestinas vivendo em São Paulo se sentiram contempladas com o enredo de “Que Horas Ela Volta”. O cinema se torna um mecanismo onde as minorias representativas conseguem assistir e se encontrar em tramas e personagens.

De outro lado da esfera cinematográfica, encontramos o suprassumo do privilégio, o homem heterossexual cisgênero branco e na maioria das vezes cristão não sendo representado de acordo com a realidade vivida. Em filmes, essa persona que vive no topo do sistema patriarcal não chora, não tem crise existencial e vive em um estado de força inabalável. Até agora.

Félix Moati, filho do diretor Serge Moati, estreia este ano seu primeiro longa-metragem: “Os Dois Filhos de Joseph”. O filme conta a história de Joseph, Ivan e Joachim, pai e filhos que fazem parte de três gerações diferentes e que precisam enfrentam os desafios de acordo com a realidade de cada um. Joseph, o patriarca, deixar a carreira consolidada de médico para realizar o sonho de ser escritor. Joachim, o filho mais velho, luta contra a depressão enquanto precisa terminar sua tese de psiquiatria. Ivan, o caçula, além de lidar com a adolescência em ascensão, tem que lidar com a crise de suas duas grandes inspirações: o pai e o irmão.

Na grande maioria, narrativas que não possuem uma linearidade tradicional encaram uma certa dificuldade na conquista de público. “Os Dois Filhos de Joseph” não tem compromisso em apresentar uma estrutura com começo, meio e fim. Sem clímax e com uma divisão de atos muito tênue, Moati prefere focar na jornada de seus personagens, e por isso evidencia os motivos pelo qual a família passa por privações tentando criar uma conexão com o público masculino, que raramente vê nas telonas a vulnerabilidade de homens.

Para aprimorar a sensação de realidade, Moati fez escolhas muito felizes de planos, trilha e cortes, que acentua a ótima atuação de seu elenco, principalmente o ator Mathieu Capella que interpreta Ivan e aos 13 anos estreia nos cinemas. Por outro lado, nenhuma característica técnica do filme se destaca e sem nenhum apogeu, é fácil se distrair ao assisti-lo.

Focado em desconstruir o arquétipo do homem no cinema sem criar muito alarde, “Os Dois Filhos de Joseph” pode facilmente passar por despercebido nas sessões dos cinemas, principalmente por se manter em território seguro.

“Os Dois Filhos de Joseph” estreia no dia 08 de agosto nos cinemas.

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