Cinema Crítica

CRÍTICA | As Rainhas da Torcida – A Mulher Madura no Cinema

Com a ascensão do feminismo em Hollywood e o surgimento de movimentos como #TimesUp que pedia o fim do assédio sexual na indústria de entretenimento e o #AskHerMore que pleiteava mais atenção no trabalho de mulheres, outra onda vem crescendo consideravelmente nos últimos anos: a inclusão das mulheres em papéis de protagonismo no cinema. Atrizes renomadas como Reese Whiterspoon, Nicole Kidman e Jessica Chainstain se viram obrigadas a começarem produzir suas próprias obras, fazendo com que mulheres se tornem as personagens principais de séries e filmes. Porém, existe uma considerável parcela de atrizes que sofrem ainda mais com a escassez de trabalho: as com mais de 60 anos. Figuras importantes para a história do cinema e da televisão, são colocadas na geladeira, se tornando esquecidas pelos grandes estúdios.

Com o intuito de incluir as atrizes seniores em posição de protagonismo, foi criado um esforço por parte das produtoras e estúdios em preparar obras com mais representatividade. No último ano, tivemos o lançamento de “Do Jeito Que Elas Querem”: quatro amigas de 60 anos que se encantam pelo best-seller “Cinquenta Tons de Cinza”, estrelado pelas experientes Jane Fonda, Candice Bergen e Diane Keaton. Esta última é a atriz principal de “As Rainhas da Torcida”, filme de Zara Hayes que mostra uma turma de senhoras se reunindo para formar um grupo de cheerleaders.

“As Rainhas da Torcida” se torna uma agradável surpresa para o espectador. Entrar na sessão de mente aberta e entender que o filme é uma comédia despretensiosa, com motivações fracas e linearidade básica é inevitável. Mas nada disso compromete aos noventa minutos de diversão. Além da incrível Keaton, Jacki Weaver (O Lado Bom da Vida) também brilha como Sheryl e é o grande motivo das gargalhadas do público.

É de praxe, que antes de uma crítica de cinema, eu procure saber o que meus colegas críticos estão achando da tal obra. Ao sair da sessão fui logo olhar a nota do longa no Metacritic: me deparei com um vermelho alerta. Ok, o filme tem sua limitações, mas funciona perfeitamente com a comédia que ele foi feito pra ser. Como a nota poderia estar tão baixa? Um longa que retrata a vida social, sexual e afetiva da mulher +70 de forma tão sensível e descontraída merecia mais consideração. Inquieto, fui mais a fundo pra ver sobre as notas e descobri que a média baixa era resultado de notas dadas por mulheres entre 30 a 40 anos. Por outro lado, percebi poucas notas altas e ao pesquisar sobre quem tinha dado essas notas generosas, descobri que eram mulheres que já tinham passado do 60. Ou seja, o filme funciona perfeitamente para seu público alvo e consegue representar essa parcela da sociedade de forma bem sucedida.

O cinema sempre foi e sempre será uma arte em constante mutação. Cada vez mais iremos enxergar tipos diversos de pessoas sendo representadas de forma digna, sem chacota ou estereotipização, tendo suas dores, alegrias e emoções. Chegou a vez das mulheres maduras. Vida longa às rainhas!

As Rainhas da Torcida estreia dia 25 de julho nos cinemas.

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