Coluna Crítica Criticando Séries

CRITICANDO: Cavaleiros do Zodíaco – Nostalgia sozinha não salva

Tentando renovar o público da saga a Netflix acerta nas personalidades, mas peca tanto no visual quanto no roteiro.

“As aventuras dos Cavaleiros do Zodíaco, jovens guerreiros encarregados de proteger a deusa grega Atena de forças do mal que planejam destruir a humanidade. Cada Cavaleiro usa uma armadura inspirada em uma das constelações do zodíaco.”

Vivemos hoje a era da nostalgia e com ela veio uma chuva de reboot´s e remakes de coisas dos anos 80 e 90 e nada mais popular nos anos 90 no Brasil do que ANIME.

Cavaleiros do Zodíaco é um caso de amor atípico no mundo. Apesar de ser japonês, não faz tanto sucesso em seu próprio país e sim na Europa e nas Américas e isso fez com que vários sub produtos relacionados ao material fonte fossem surgindo. A anos atrás tivemos um filme péssimo chamado “A Lenda do Santuário” em uma tentativa de renovar o público em uma pegada mais americanizada. O visual agradou bastante porém a descaracterização da história foi o suficiente para matar qualquer ideia de retorno.

Depois de idas e vindas (The Lost Canvas, Ômega, Alma de Ouro, Saga G, Next Dimension etc…) a Netflix resolveu meter as caras e dar sua própria versão. Estreando com apenas 6 episódios e apostando nos visuais clássicos era uma aposta segura para garantir os fãs e angariar novos devotos, mas não foi bem assim.

Saint Seiya – Os Cavaleiros do Zodíaco adapta a primeira fase do anime, A Guerra Galáctica, uma saga que foi feita em 22 episódios de 20 minutos aqui é retratada em 6. Muita coisa foi cortada e uma nova ameaça foi adicionada.

Não basta a trama inicial na qual dois deuses, Hades e Poseidon, querem matar a deusa Atena, ter impostores no Santuário, um cavaleiro de bronze traidor e uma irmã perdida, por algum motivo pros novos produtores ainda precisamos de um exército que quer derrotar deuses (?????) para provar a superioridade da humanidade fazendo experimentos com as armaduras e criando seus próprios cavaleiros.

Apressando o que devia ser explicado, alongando o que devia ser encurtado a história é terminada de um jeito estranho, como se fosse quase um teste para ver como seria a reação do público.

Como se só a correria do roteiro fosse ruim a animação escolhida tira uma grande parte da atenção. Parecendo um projeto não finalizado ou uma cena de jogo do playstation 3 (e não um God of War da vida que fique bem claro) a animação mantem os traços clássicos mas tem uma mecânica travada, nada orgânica e mesmo parecendo repetitivo tudo parece sem um polimento, uma finalização.

Para ser justo nem tudo é péssimo. Apesar dos cavaleiros coadjuvantes quase não ter uma personalidade mais distinta, as essências do mangá (quadrinho japonês) foram mantidas em sua totalidade basicamente. Temos um Seiya mais forte, questionador, sarcástico e menos chorão do que no original. Hyoga aqui também é mais marrento, tem as motivações alteradas e bem menos senso de coletividade. A mudança de sexo em Shun não interferiu em absolutamente nada além de uma pluralidade no grupo. Shiryu segue como mais sábio e Ikki teve pouco tempo para mostrar de fato ao que veio.

Apelando de um jeito errado para a nostalgia “Cavaleiros do Zodíaco” da Netflix parece ser para um público muito mais novo do que a animação original e talvez nisso esteja o pecado: Mira em um público mas não foca totalmente nele.

Cavaleiros do Zodíaco estreou na Netflix no dia 19 de Julho.

NOTA: 2/5

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