Cinema Crítica

Crítica | Era Uma Vez Em… Hollywood – Tarantino e seu velho jeito de fazer cinema

Quentin Tarantino lançando filme é sempre um grande evento. Desde a estreia amadora de “My Best Friend’s Birthday”, o diretor estadunidense atingiu fama mundial com seus longas-metragens repletos de sangue e humor sarcástico. Seu potencial novo sucesso, “Era Uma Vez Em… Hollywood”, estreou na última semana com um elenco estrelado por Margot Robbie, Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. O nono longa de Tarantino tem como cenário Los Angeles na década de 60 e mostra um ator de TV e seu fiel dublê enfrentando a decadência de suas carreiras.

Já se passaram trinta anos desde que Quentin Tarantino atingiu o posto de um cineasta renomado. Desde então, nossa sociedade e costumes passaram por uma gigantesca transformação e aquilo que era convencional, engraçado e entretenimento no início dos anos 90 pode já ter se tornado obsoleto em 2019. A forma em que Tarantino assou suas obras é a mesma e por isso roteiros incríveis saem do forno, com diálogos espetaculares, com uma excelente dominação da linha temporária e atuações de tirar o fôlego. O problema é que com sua genialidade aprimorada ao longo das décadas, o diretor não se desapegou de características ultrapassadas e por isso deve ter problema em conquistar uma nova geração. Em sua mais recente obra, Tarantino deixa personagens femininas de canto, dando pouco destaque para a incrível Margot Robbie no papel de Sharon Tate, que em pouco tempo de tela, a atriz mais esbanja beleza do que acrescenta na narrativa. Outro ponto complicado do filme é afirmação de estereótipos étnicos, reclamação já feita para Quentin em outros filmes. Neste, Bruce Lee é interpretado de maneira caricata e afetada pelo ator Mike Moh.

Mesmo apresentando problemas como falta de representatividade e estereótipos ultrapassados, “Era Uma Vez Em… Hollywood” não perde a pose de clássico. Os dois primeiros atos do filme possuem apresentações de enredo e personagens criativas com um incrível desenvolvimento de narrativa. Já em seu desfecho, o filme segue como um clássico filme “Written and Directed by Quentin Tarantino” como se diz na estampa de camisas de fãs do diretor. Com humor ácido, muito sangue e violência bem coreografada mesmo sendo pastelão, o último ato são quarenta minutos de clímax seguidos, levando o público a loucura.

 Sendo um dos únicos grandes nomes do Cinema de Autor, Tarantino não perde credibilidade mesmo com seus pequenos deslizes. “Era Uma Vez Em… Hollywood” distrai, entretêm e surpreende aqueles que acham que conhecem o grande diretor Quentin Jerome Tarantino.

“Era Uma Vez Em… Hollywood” já está disponível nos cinemas.

Comente aqui!!!!