Cinema Crítica

Crítica – O Amor Dá Trabalho | A evolução da comédia nacional

Com o atual governo brasileiro deslegitimando cinema nacional e vetando financiamento para projetos audiovisuais, ficará cada vez mais difícil enxergar nossa cultura nas telonas. O cinema brasileiro independente perde forças e o comercial ocupa cada vez menos espaço. Este ano por exemplo, tivemos a comédia “De Pernas Pro Ar 3” em um embate injusto com grandes filmes de heróis, atual sensação da cultura pop. Agora, no segundo semestre, um novo potencial sucesso da comédia “br” estreia com elenco repleto de renomados atores globais, prometendo ser resistência na ocupação de salas de cinema.

Depois de se tornar um grande cineasta da animação nacional, Ale Mchaddo estreia seu primeiro live-action: “O Amor Dá Trabalho”, filme com Leandro Hassum, Flávia Alessandra e Bruno Garcia. A comédia tem como protagonista Anselmo (Hassum) que ao falecer recebe a missão de juntar Paulo (Garcia) e Elisangela (Flávia), e caso falhe, seu destino será o inferno.

Com um apelo populista, as comédias nacionais precisam apelar para um humor nada intelectual. É nítido ainda as amarras com um humor que não deveria estar mais presente na sociedade, usando artifícios ultrapassados, mas que ainda faz sucesso com uma classe mais desprendida do politicamente correto. Em “O Amor Dá Trabalho” o gay afeminado, o gordo vegano e a loira burra dividem reações entre desconforto e risadas.

O lado bom é notável evolução entre as novas comédias e o que já se tornou passado. Apesar do longa de Mchaddo se apoiar em arquétipos preconceituosos, é possível rir e se divertir de piadas mais adequadas para o a segunda década do século vinte um. A esperança é que aos poucos, o cinema brasileiro comercial vá se desconstruindo e se aproximando da realidade que uma vez pensamos ser utópica.

Outro ponto positivo para “O Amor” é a preocupação em um bom desenvolvimento de roteiro, evitando furos e gafes muito comum nas comédias do mundo tudo. O filme surpreende o público com reviravoltas elaboradas e evolução nítida de personagens. Ale e o roteirista Luiz Felipe Mazzoni encontram o perfeito equilíbrio entre cinema e novela, que tanto agrada o espectador brasileiro.

O cinema nacional luta diariamente pela sobrevivência, logo neste momento em que tem encontrado uma maturidade em suas produções, se preocupando com qualidade e uma boa entrega ao público. “O Amor Dá Trabalho” é um ótimo representante da comédia brasileira, mostrando evolução e proporcionando boas risadas ao sofrido público brasileiro. Prestigiem o cinema nacional!

“O Amor Dá Trabalho” estreia dia 29 de agosto nos cinemas.

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