Cinema Crítica

Crítica | Divaldo – A Humanização do Médium

Apesar da supremacia católica e evangélica que o Brasil vive, o espiritismo kardecista (outra vertente do cristianismo) também comove milhões de seguidores em nosso país. Além de ser um lar de conforto para diversos fiéis, a doutrina espírita se dissemina através de livros psicografados que ao longo do tempo se tornaram uma fatia bem-sucedida da literatura brasileira. Para aumentar o seu alcance e se modernizar de acordo com as novas gerações, o espiritismo passa a focar no cinema, promovendo filmes que levam sua filosofia e promove biografias de seus grandes líderes.

“Divaldo – O Mensageiro da Paz” é a mais nova cinebiografia voltada para o público fiel ao espiritismo. O médium Divaldo Franco tem sua vida contada em um filme dirigido por Clóvis Melo, que já trabalhou com Caetano Velo no documentário “Coração Vagabundo” de 2018 e dirigiu a comédia romântica “Ninguém Ama Ninguém… Por Mais de Dois Anos” exibido em 2015. Divaldo é interpretado em três fases diferentes de sua vida: na infância pelo pequeno João Bravo, que está no ar na novela global Bom Sucesso. Na juventude, o médium é interpretado por Guilherme Lobo, que ficou conhecido ao protagonizar o longa “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”. Por fim, na fase mais madura, Bruno Garcia, que acaba de estrear “O Amor Dá Trabalho”, assume o papel.

Com um repertório vasto de filmes sobre líderes religiosos, é de se esperar que a vida de Divaldo tenha sido triste e difícil. Pois não foi, ou pelo menos não transpareceu ter sido. A biografia do médium possui altos e baixos, momentos melancólicos e felizes, mas o saldo final são duas horas alegres e fáceis de digerir. De uma forma ou de outra, Clóvis adaptou a trajetória de Divaldo de forma delicada a tornando apta para todas as audiências. Antes de exaltar ao grande líder religioso, o filme mostrar o lado humano de Divaldo Franco, o transformando em uma figura simpática, carismática e bem-humorada.

Por mais biográfica que seja a obra, “Divaldo – O Mensageiro da Paz” não se contenta em apenas contar a trajetória do médium e nos traz uma linda mensagem, nos ensinando a deixar a vaidade de lado e estar disponível para auxiliar o próximo.

Apesar dos sotaques desajeitados e algumas interpretações muito teatrais para o cinema, o elenco acerta na maioria das vezes. Laila Garin, que atua como a mãe de Divaldo, dá um show de atuação sem ofuscar os outros colegas e sim dando suporte para cenas com ótimos resultados. Regiane Alves, Marcos Veras e Ana Cecilia Costa também se destacam em suas atuações, além (obviamente) dos três atores que interpretam Divaldo em idades diferentes.

O braço espírita do cinema nacional tem tudo para se tornar um grande sucesso, assim como a literatura psicografada. Ao contrário de filmes como “Nada a Perder” financiado pela Igreja Universal, as obras oriundas do espiritismo conquistam audiência real mesmo com um marketing não tão expressivo. “Divaldo – O Mensageiro da Paz” é um filme que, como diz o título, traz paz conquistando todos os públicos.

“Divaldo – O Mensageiro da Paz” estreia no dia 12 de setembro nos cinemas.

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