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CRITICANDO: Coringa – Empatia e simpatia são coisas bem diferentes

Filme sobre o vilão mais famoso do mundo é uma obra de arte tão cruel que assusta e isso o torna necessário.

Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante.

Quando foi anunciado o projeto muitas pessoas se perguntaram se valia a pena se fazer um filme no qual o principal personagem seria justamente o antagonista sem o seu maior protagonista: Existe vida no Coringa sem Batman? Bom a ausência de vida do personagem assusta, não existe uma origem certa e isso abre um mundo de possibilidades e isso é muito bem explorado aqui.

O filme nos apresenta uma Gotham a beira de um colapso social em um estado de tensão extrema. Violência, sujeira, descaso, desemprego e uma eleição para prefeito chegando faz com que essa sociedade adoeça rápido demais.

Dentro dessa cidade cansada temos Arthur Fleck, um homem doente mentalmente com uma condição na qual ri em situações inapropriadas e isso o faz ficar a margem da sociedade.

A direção e a atuação se tornam uma coisa EXTREMAMENTE necessária aqui… Obviamente é uma coisa necessária em qualquer filme mas aqui isso fica tão bem feito que é difícil enxergar onde é mérito do ator e onde foi do diretor. Uma simbiose única para criar um produto único.

Tudo é feito com um cuidado ímpar, um perfeccionismo em criar a atmosfera perfeita que te faz simpatizar com as dores do personagem em um ponto no qual você SABE QUE É ERRADO, mas ainda assim por um período, por menor que seja, você justifica as ações dele. Dentro disso mora o perigo e a discussão do filme quanto retrato da sociedade: Existe um limite para ser humilhado? Existe um limite para estourar e “devolver” para a vida toda mal que ela faz a você?

Nada aqui é feito com a intenção de te incentivar a tomar o rumo e se tornar um “Coringa”, deixando bem claro sempre que o personagem é DOENTE e muito egoísta, deixando aquela sensação de simpatia para trás a cada minuto de filme e ir começando a se tornar um medo descomunal. Pensando no que tanto tinha me assustado no filme eu deixei de notar que foi justamente o fato de ser muito real e muito recorrente as situações apresentadas. É isso que assusta: O normal.

Não precisa de um raio laser saindo dos olhos, de um tanque de químicos, de uma manopla que pode exterminar vida, tudo que você precisa é de um dia ruim.

Joaquin Phoenix entrega uma estranheza, um charme estranho e uma aparência doente que causa desconforto a todo momento. É visualmente estranho seu modo de andar e de dançar, sua fala arrastada e com rouquidão são uma cereja no bolo uma vez que o personagem está em tela 99% do filme.

As músicas se encaixam na trama de um jeito que sua tensão aumenta muito junto com a trama do filme. Os violinos e violões celo deixam tudo com um ar pesado e poético, pontuando perfeitamente cada ato mostrado em tela.

A fotografia do filme é completamente inspirada em clássicos como “Taxi Driver” e “Clube da Luta” com cores pastéis e muito amarelo nas cenas. O jeito de filmar não tenta reinventar a roda e faz o necessário parecer extraordinário.

A direção de Todd Phillips é um show a parte, juntando todos os elementos anteriores a uma narrativa forte na qual o que ele quer mostrar em tela é sem medo e o que fica como figura oculta esteve ali o tempo todo mas ninguém deu muita bola. A agressividade que ele imprime fazendo essa homenagem ao vilão vai gerar debates durante muitos e muitos anos.

Dirigido e escrito por Todd Phillips e no elenco Joaquin Phoenix (ELA), Robert DeNiro (O Irlandês), Zazie Beetz (Deadpool 2), Frances Conroy (American Horror Story), Brett Cullen (Águas Rasas) entre outros o filme estreia no dia 03 de Outubro de 2019.

NOTA: 5/5

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