Cinema Crítica

#mostrasp | Papicha – Uma revolução árabe e feminista

Na década de 90, a Argélia viveu uma intensa guerra civil em um embate entre o governo e rebeldes islâmicos onde mais 200 mil vítimas foram assassinadas. Retratando uma parte do confronto, a diretora Mounia Meddour lança “Papicha”, filme que representa a Argélia na corrida do Oscar 2020 e será exibido na 43ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo.

Apesar de ter sido censurado em seu país, “Papicha” foi indicada à Mostra Paralela de Cannes “Um Certo Olhar” (perdendo para o brasileiro “A Vida Invisível”) e já teve sua estréia nos Estados Unidos, validando sua candidatura ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no próximo Academy Awards. As conquistas do longa norte-africano fazem jus à qualidade que Mounia e sua equipe estabelecem no filme, contando a história de garotas formando resistência contra o extremismo e suas tradições de opressão à mulher.

Com um elenco repleto de atrizes representando uma geração feminista que não se permite a submissão ao homem, o enredo do filme é uma apresentação ao ocidente da cultura islâmica sem permitir muitos didatismos recorrentes em filmes estrangeiros direcionados ao circuito internacional. Na medida certa, “Papicha” agrada todos os públicos sem abandonar a importância de sua raiz argelina.

“Papicha” estará disponível na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

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