Cinema Crítica

#mostrasp | Wasp Network – A humanização de heróis cubanos

Abrindo a 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme dirigido por Olivier Assayas e produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, “Wasp Network” chega ao Brasil em três sessões na cidade paulista com um elenco de grandes atores latino americanos como Gael García Bernal, Edgar Ramírez e Wagner Moura, além da musa espanhola Penélope Cruz.

Sem dar spoilers, me reservo a falar que “Wasp Network”, que no Brasil deve ganhar o título de Rede Vespa ou Rede Cubana, é uma adaptação do livro “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” do jornalista brasileiro Fernando Morais e mostra como desertores cubanos deixaram seu país em busca de asilo político nos Estados Unidos. Sem tomar partido e entregando uma obra com tentativa de neutralidade, Assayas escolheu uma vertente humanizada para retratar os “traidores” (ou “gusanos” como são conhecidos em Cuba) dando um foco maior em seus filhos e esposas deixadas pra trás em Havana.

Com uma clara noção do fenômeno da polarização presente no mundo todo, Olivier Assayas se preocupa em entregar uma visão forasteira sobre o embate entre Estados Unidos e Cuba. Segundo o diretor a intenção é que o espectador tire suas próprias conclusões e para que isso aconteça, a direção e produção do longa intensificou o cuidado na checagem de fatos apresentando uma versão do que seria um filme apolítico sobre política. Apesar de um nítido inclinamento ao lado cubano da história, Assayas se torna aquilo que no Brasil chamaríamos de “isentão” e acaba fingindo não escolher lados.

O elenco do filme é o grande trunfo. Com atuações muito bem executadas, atores e atrizes se destacam de maneira positiva, apesar da confusão de sotaques nessa babel latina. Aliás, foi um pedido especial do diretor para que não contratasse atores estadunidenses para papéis latinos, trazendo então Wagner (Brasil), Ramírez (Venezuela), Bernal (México) e Leonardo Sbaraglia (Argentino). O filme é um retratos dos soldados desertores de Cuba, mas as atrizes Penélope Cruz (Espanha) e Ana de Armas (Cuba) dão um show de interpretação criando um importante espaço na obra.

“Wasp Network” teve sua estréia no Festival de Veneza mas após a premiere passou por um novo processo de montagem. Olivier explica que a primeira versão foi montada às pressas para a exibição no Festival e que logo depois eles resolveram simplificar as partes políticas para um melhor entendimento do público. A decisão pode ter sido precipitada, subestimando a inteligência de sua audiência e aparentemente afetando o ritmo da narrativa e deixado enredos paralelos sem maiores explicações.

Assistir “Wasp Network” é uma experiência e tanto. Apesar da baixa receptividade, o filme cumpre o papel de nos despertar interesse em uma história da politica moderna que não abordamos com tanta frequência. É uma aventura latina-americana necessária, daquela que não sabíamos que precisávamos.

“Wasp Network” será exibido na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo”

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