Cinema Crítica

#mostrasp | Honeyland – Entre o limite da ficção e do documental

Eu não precisava falar sobre “Honeyland”, o filme estava apenas na lista de exibições que eu iria por “lazer”, mas não me contive. O filme é a aposta da Macedônia para uma indicação no Oscar 2020 e está sendo exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e em sua primeira sessão arrancou aplausos do público presente. Criando uma narrativa que nos faz questionar os limites entre ficção e não-ficção, os cineastas Tamara Kotevska e Ljubo Stefanov acompanharam durante 4 estações a rotina de Hatidze Muratova, a última cultivadora de abelhas na Europa.

A ideia para o filme surgiu como um curta sobre o ecossistema e conservação da natureza mas durante o processo de filmagem a equipe encontrou uma mulher cuidando de uma idosa doente. Esta mulher seria Muratova, que por ser a filha mais velha, seguia a tradição de cuidar de sua mãe enquanto cultivava mel e abelhas. A partir daí o curso do projeto muda totalmente. Com um carisma exacerbado, a personagem principal conquista o público da mesma forma que cativou os filmmakers e facilita o desenvolvimento de um enredo até então incerto. No início do segundo ato, uma família turca com 7 filhos chega ao vilarejo abandonado onde antes vivia apenas a moça e sua mãe. Deste momento em diante acompanhamos as interações entre os vizinhos, que honestamente, não se distancia muito de situações vividas por nós.

Em uma entrevista após a exibição em Sundance, os diretores confirmaram que em nenhum momento conseguiu dirigir ou posar os personagens do documentário. Assim, a câmera entra em uma rotina desconhecida de forma autêntica e nos oferece um ponto de vista privilegiado. Como um filme não se sustenta só de captação – e que captação! – o ritmo contribui para manter a audiência interessada com um montagem digna de prêmios.

Falando em prêmios, o filme faturou 15 estatuetas no mundo todo e está concorrendo na competição Novos Diretores da Mostra de São Paulo. Com tantos prêmios conquistados, foi até possível comprar uma casa com energia elétrica para Hatidze Muratova que vivia à luz de vela.

Oferecendo a melhor experiência que o cinema consegue oferecer, “Honeyland” se tornou meu filme favorito até agora na Mostra. Estamos torcendo para que se torne finalista na corrida ao Oscar.

“Honeyland” está sendo exibido na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

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