Cinema Crítica

#mostrasp | Abe – Fofura, sabor e millennialismo

Assistir filme no Teatro Municipal é um luxo. Um evento digno de grandes festivais internacionais. Diretor e elenco chegam pelo Tapete Vermelho e tirando fotos e cumprimentando o público. A obra que fui assistir era “Abe” de Fernando Grostein Andrade, diretor brasileiro que ficou conhecido por ser irmão caçula do apresentador Luciano Huck e por ser o grande expoente do movimento “Quebrando o Tabu”. O longa filmado em Nova Iorque tem Seu Jorge (Cidade de Deus) e Noah Schnapp (Stranger Things) contando a história de Abe, um garoto que tem como talento a gastronomia e tenta usá-la para unir sua família dívida pela religião.

Fernando nasceu nos anos 80, fazendo parte – assim como eu – da geração Millennials. Antes do filme começar e do diretor entrar no teatro, conversava com um senhor sentado ao meu lado, que não deveria ter mais que 60 anos. Ele dizia que acompanha Fernando nas redes sociais e que e ABRE ASPAS é um saco ver a quantidade de selfies publicadas por ele e seu namorado, apesar dos dois serem muito bonitos FECHA ASPAS. Ri timidamente pois me identifiquei, com o cineasta pela obsessão com auto retratos e com o senhor por achar o casal muito atraente.

Apesar de não ter selfies românticas (era só o que me faltava!!!), o longa abusa das linguagens modernas, sendo narrado por posts no Tumblr, fotos no Instagram e pesquisas no Google. Como um “Esqueceram de Mim” que tomou muito Whey Protein (esteroides são tão geração Y, duh), “Abe” emociona divertindo e com uma pitada certa de marketing pode ganhar o mundo e se tornar um clássico a longo prazo. Antes da sessão, Grostein afirmou que o filme deve estrear em fevereiro e chegará na China, Europa e África, além da América do Norte e Brasil.

Os protagonistas Jorge e Noah possuem uma química incrível, imprimindo na telona uma conexão dos deuses. É tipo queijo com goiabada ou banana e virado à paulista, sabe? O restante do elenco parece amador perto da improvável dupla que faz o Mundo Invertido e Belford Roxo parecem vizinhos.

A culinária tem um papel importantíssimo do filme dividindo holofote com a religião, apesar desta não brilhar tanto. Um tanto quando redundante, a briga entre judeus e palestinos só ganha notoriedade mesmo quando o filme atinge seu clímax, lá pro fim do terceiro ato. Antes disso só conseguimos enxergar velhos mimados discutindo qual deveria ser o caminho religioso a ser trilhado por Abe. Quase um almoço de domingo, né?

Como uma potência internacional, “Abe” consagra Fernando Grostein como um grande diretor brasileiro, fugindo de pretensiosismo trilhado por cineastas que preferem fugir do clássico e popular. Torcemos para que “Abe” ganhe a bilheteria do mundo tudo. Merda para Grostein.

Comente aqui!!!!