Cinema Coluna Crítica Criticando Em Alta Review

CRÍTICA: Doutor Sono – Referência x Fan Service

Filme acerta na proposta da novidade, mas se perde na duração gigante e na tentativa de recriar cenas do clássico.

Na infância, Danny Torrance conseguiu sobreviver a uma tentativa de homicídio por parte do pai, um escritor perturbado por espíritos malignos do Hotel Overlook. Danny cresceu e agora é um adulto traumatizado e alcoólatra. Sem residência fixa, ele se estabelece em uma pequena cidade, onde consegue um emprego no hospital local. Mas a paz de Danny está com os dias contados a partir de quando cria um vínculo telepático com Abra, uma menina com poderes tão fortes quanto aqueles que bloqueia dentro de si.

É bem perigoso se mexer em alguma coisa já consagrada não é verdade? Porém o material fonte, os livros, existem e são do mesmo autor, nada poderia dar errado. Bom não deu errado, mas deu uma tropeçada.

A apresentação do filme já deixa bem claro que o clima aqui vai ser MUITO diferente de O Iluminado. Um terror menos psicológico e já partindo para uma coisa mais física e menos lúdica.

Os vilões são uma espécie de família vampira que suga a energia mágica dos “iluminados” e isso os dá imunidade ao tempo. Não é exatamente um conceito novo, porém é muito eficiente em dar aos vilões uma coisa que costuma ser fraca em todo tipo de filmes: Motivação do antagonista. Inclusive todos os créditos para a belíssima Rebecca Ferguson como Rose do Chapéu. Imponente, líder, com uma aura mística envolvente a personagem consegue fazer você acreditar que ela se importa com o bem estar de todos “os Corvos” e é uma ameaça real para Danny.

Já nosso protagonista perdido vivendo do fantasma do pai tenta de todo modo manter seus poderes ocultos para não ser perturbado pelo seu próprio passado. Ewan McGregor, nosso eterno Obi Wan Kenobi, entrega uma performance sólida, não tendo nenhuma ligação com a criança do filme original (amém se ele falasse com o dedo ia ser MUITO estranho, muito mesmo) mas se mantendo muito centrado no papel tanto de viciado quanto no de mentor mágico da menina Abra. A garota inclusive é a nova protagonista dessa história, tendo um poder mágico gigantesco e conseguindo explorar ele de uma maneira bem diferente que o garoto quando era criança. Um achava que era seu amigo imaginário e se escondia a outra achava um máximo e chamava de “mágica”.

Uma coisa bacana é que não são personagens unidimensionais. Danny Torrance é extremamente atormentado e o começo do filme deixa isso muitíssimo claro. O Overlook o perseguiu por anos e a memória de seu pai é um reflexo atual de sua vida, porém a chegada de Abra e a mudança de cidade o fazem se tornar uma pessoa que entende seus demônios.

Abra por sua vez é inocente e acha tudo bem engraçado, porém com o desenrolar da história sua sede por justiça a deixa até meio sádica, o que é uma coisa bem tensa considerando que ela tem 13 anos e se utiliza até de uma frase de Joker em um momento “Você tem o que você merece”, não sei se proposital pois é da mesma empresa, mas FICA AÍ A INFORMAÇÃO.

O tropeço começa quando o filme passa a querer te lembrar de alguns fatos do filme original, o que não é um problema em si, entendo que o produto original não foi assistido por uma parcela grande do público (mesmo que tenha que ser assistido) e ao invés de acrescentar as informações do filme anterior ele LITERALMENTE recria cenas inteiras com outros atores. Isso pra quem é novo ajuda bastante, porém para o público que gosta do clássico causa uma estranheza imediata.

Outra coisa que precisamos falar é onde começa a homenagem ou citação e quando se torna apenas fan service (ato de inserir uma cena conhecida para gerar comoção do fã). Muitas coisas que não precisavam ser mostradas após citadas o (bom) diretor Mike Flanagan faz TOTAL questão de reforçar. Isso cansa o expectador e fica marcado principalmente na longuíssima duração do filme e no seu meio angustiantemente arrastado.

Longe de ser uma obra prima como seu antecessor porém extremamente competente em seu papel de ser atualizado e fechar uma história Doutor Sono é uma morna mas satisfatória jornada de encerramento.

Dirigido por Mike Flanagan (Ouija, Hush e A Maldição da Residencia Hill) e o elenco contando com Ewan McGregor (Star Wars e Aves de Rapina), Rebecca Ferguson (MIB Internacional e Missão Impossível), Cliff Curtis (Megatubarão) e a estreante Kyliegh Curran entre outros o filme estreia no dia 07 de novembro de 2019.

NOTA: 3.5/5

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