Crítica

Crítica: Bixa Travesty – A canonização de Linn da Quebrada

Lembro da primeira vez que vi Linn da Quebrada. Foi 18 de fevereiro de 2017, em um bloco de carnaval que a atração principal era Pablo Vittar que por ventura convidou as amigas Gloria Groove e Linn pra fazer parte da festa. Confesso que não gostei muito… Não era o que eu queria ouvir naquele momento. Eu queria era pegação, ser a vadia que não esperava o carnaval pra ser, atrás daquele muleke brasileiro sabe? Daí me aparece aquela sujeita cantando coisas que nunca ouvi. Mas enfim, o tempo passou e em outubro daquele mesmo ano o “Pajubá”, disco de estreia de Linn, chega até mim e aí é paixão à primeira ouvida. Teria eu crescido em 8 meses e aprendido a consumir Linn? Ou teria eu crescido em 2 minutos e meio e aprendido a consumir com a Linn?

Depois de rodar o mundo inteiro, Linn traz ao público brasileiro o documentário que a lhe transforma em personagem principal: “Bixa Travesty” de Claudia Priscilla e Kiko Goifman. O filme acompanha a trajetória da artista focando em sua relações, sua arte e (principalmente) seu corpo.

Produzido pelo Canal Brasil, “Bixa Travesty” é um ponto final no heteronormativo. É um questionamento retórico sobre como será o futuro longe de papeis construídos e de dogmas obrigatórios. Linn, Jup do Bairo, Liniker e as Bahias são apenas uma parcela da revolução que o documentário ilustra. Partimos para uma nova era. Não graças à Deus. Sim graças à elas.

Linn é atriz, cantora, bonita e engraçada. É uma entidade, um monumento, uma estatua nem grega e nem romana. É aquela pessoa que olha pra tudo com olhar de quem ta aprendendo mas fala com todos com voz de quem já sabe tudo. Obviamente eu sou suspeito pra falar, pois sou admirador. Entre fevereiro e outubro de 2017, mais especificamente em agosto fui assistir nos cinemas o longa “Corpo Elétrico”, escrito pelo grandiosíssimo Hilton Lacerda. Lá vi Linn encarnar Simplesmente Pantera de forma genuína. Agora ela domina a tela do cinema sendo apenas ela e isso já o suficiente. Em “Bixa Travesty” o objeto principal é repleto de carisma e cativa a audiência fazendo uma hora parecer 15 minutos.

Obra obrigatória, “Bixa Travesty” chega ao Brasil com alguns prêmios internacionais na bagagem e com a missão de penetrar o conservadorismo e puritanismo libertando corpos e mentes da escuridão solitária. Obrigado por (r)existir, Linn!

NOTA: 4/5

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