Crítica

Crítica: Um Dia de Chuva em Nova Iorque – Woody Allen não inventa, mas ainda encanta

Depois de quase ser cancelado, o novo filme de Woody Allen chega ao Brasil com a missão de trazer credibilidade ao diretor que perdeu espaço nos últimos anos por problemas pessoais e obras medíocres. Com um karma pesado “Um Dia de Chuva em Nova Iorque” mostra Gatsby e sua namorada Ashleigh em um fim de semana na capital nova iorquina sendo levados por desdobramentos causados pela rotina da cidade.

Há quem diga que “Um Dia de Chuva em Nova Iorque” é mais do mesmo, uma replicação de papéis e cenários já saturados por Allen. Eu discordo. Até entendo que o longa não é revolucionário e não traz novidade alguma, mas quem disse que era esse o objetivo? Quem absorve o cinema de Woody Allen, absorve sabendo o que esperar. Uma história valorizada, boas risadas e uma carta de amor à grande moças e belas metrópoles (ou vice-versa).

Woody Allen e uma metrópole são como Beyoncé e ventilador, Almodóvar e kitsch, Testino e Gisele. Funcionam muito bem separados, mas juntos são imbatíveis. “Um Dia de Chuva em Nova Iorque”, assim como quase toda obra de Allen, nos leva diretamente para a big apple em uma tarde nublada mantendo viva a mais velha tradição do cinema: transportar pessoas para mundos diferentes e distantes, sem artifícios baratos e sem muita fantasia. É ótimo quando viajar com Woody Allen para campos bucólicos ou cidades interioranas, mas nada se compara com Nova Iorque, Paris ou Barcelona. É ali que o cineasta se rebela e cria os mais lindos e inteligentes momentos de sua filmografia.

Outro ponto positivo de “Um Dia de Chuva em Nova Iorque” é a direção de Allen extraindo o charme e carisma de seu elenco. Apostando em um cast millennial, – talvez para trazer um novo público ao cinema – Timothee Chalamet, Elle Fanning e Selena Gomez vivem ótimos momentos em seus personagens, mostrando três facetas não tão conhecidas pela audiência.

Na ápice de seu narcisismo, Woody Allen insere no filme vários auto-referências. Os personagens masculinos funcionam como várias partículas do cineasta que expõe o vício em apostas, a tentativa frustrada de flerte e a crise criativa que Allen supostamente passou. São varias camadas expostas sem medo do ridículo e que nos aproxima daquele que um dia já foi um mito do cinema.

Como nada é perfeito, a montagem do filme consegue quebrar o encanto com erros porcos de continuação e cortes mal feitos. Pode ser chatice de olho treinado, mas acredito que são erros extremamente aparentes para o público. Chega parecer amador.

Longe de ser a melhor obra de Woody Allen, “Um Dia de Chuva em Nova Iorque” consegue estar mais longe ainda de ser a pior. É um suspiro para os admiradores do diretor que sentiram falta da fórmula que tanto deu certo.

“Um Dia de Chuva Em Nova Iorque” estreia no dia 21 de novembro.

NOTA: 3,5/5

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