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Crítica: As Golpistas – Uma homenagem à força feminina

Não é de hoje que a demanda por filmes protagonizados e realizados por mulheres surge em Hollywood. Cada vez mais perto da temporada de premiações e com (homens) veteranos como Tarantino, Scorsese, Meirelles e Mangold lançando obras que subestimam a presença da mulher na narrativa é possível perceber como a diversidade e inclusão no cinema ainda é um problema. Esse ano, por exemplo, teremos um remake do clássico “Adoráveis Mulheres” protagonizado por 5 atrizes e dirigido por Greta Gerwig sobre uma família cristão durante a Guerra Civil Estadunidense. De conservadoras para strippers temos Lorena Scafaria escrevendo e dirigindo “As Golpistas” com Constance Wu e Jennifer Lopez, filme inspirando em um artigo da New York Magazine (escrito por Jessica Pressler) sobre um grupo de mulheres que davam golpes em seus clientes.

Em 2007, para ajudar sua vó a pagar as contas Destiny – interpretada por Wu – começa a trabalhar como stripper na boate Moves. Lá ela conhece Ramona – personagem de Lopez – que lhe ensina os melhores truques para conseguir arrecadar mais dinheiro dos clientes. Com a crise de 2008, tudo fica mais difícil para Destiny e Ramona e assim elas arranjam uma maneira de conseguir dinheiro fácil de ricaços de Wall Street se tornando grandes golpistas.

É nítido a intenção de Lorena em focar na realização de uma obra que seja um grito para a liberdade criativa feminina e o tempo todo reforça em sua linguagem, que “As Golpistas” é um filme de mulher para mulheres. O discurso repleto de sororidade presente no longa-metragem visa atingir um público que não está acostumado em ver a mulher em posição principal e talvez não funcione tão bem para uma audiência mais rica em repertório. Isso não necessariamente é algo ruim, visto que, é preciso levar um ponto de vista que desconstrói o centrismo masculinizado para aqueles que não consomem um produto mais intelectual.

Trazer o homem como o fragilizado e o papel feminino com uma força descomunal é desafiador e ousado para o cinema comercial. Tanto por reputação da obra quanto por desafios de linguagem. A desmitificação de strippers e a observação de várias camadas dessas mulheres é bem construída por Scafaria, que parece ter se inspirado de forma legitima na vida real. Afinal, quer roteirista melhor que a vida real? Em uma das cenas (a minha favorita) é possível ver as funcionárias do Moves Club quebrando estereótipos da profissão e assim revelando celibatário, namorados ciumentos e filhos esperando sua mãe. Sejamos honestos, não é revolucionário e talvez você já tenha visto a mesma tática antes, mas é preciso admitir que mesmo assim funciona.

O marketing do filme deu destaque à coadjuvante Jennifer Lopez. A atriz, cantora, dançarina, apresentadora e produtora que possui uma performance mediana em todas as suas funções que exerce supera todas as expectativas do público e da crítica especializada. Ao assistir ao filme, você percebe que a publicidade não só investiu na popularidade de J-Lo, mas também em sua performance que lhe deve render sua primeira indicação ao Oscar e a segunda ao Globo de Ouro. A protagonista Constance Wu também brilha, mas de papel principal vira escada para a colega latina. Outra fominha de cena é a rapper Cardi B que em menos de 10 minutos de tela se torna icônica em uma versão dela mesma.

O feminismo existe no cinema há muito tempo, mas é fato que grandes estúdios estão abrindo espaço para a mulher em blockbusters apenas agora com o capitalismo entendendo que a luta feminista pode ser lucrativa. “As Golpistas” chegam de carona nessa onda e se aproveita bem do momento juntando uma boa recepção de crítica, narrativa que abrange a massa e o girl power em uma genérica, mas eficiente essência.

“As Golspistas” estreia dia 5 de dezembro nos cinemas

NOTA: 3,5/5

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