Entenda aqui como o desgoverno Bolsonaro afeta o cinema brasileiro

Na manhã desta terça-feira (23), o jornalista Ancelmo Gois publicou em sua coluna no site O Globo que a gestão da Ancine no atual governo bolsonarista solicitou a retirada dos cartazes de filmes brasileiros da sede da agência e de seu site oficial. Os cartazes ilustravam quais filmes nacionais estavam em cartaz nos cinemas.

A diretoria da Ancine foi alterada quando Christian de Castro, o diretor-presidente indicado por Michel Temer, foi afastado após acusações de falsidade ideológica e estelionato. No início de setembro o presidente Jair Bolsonaro indicou o advogado Alex Braga Nunes como líder da agência que regula o audiovisual brasileiro.

Além de alterações na diretoria da Ancine, Bolsonaro nomeou Edilásio Barra, popularmente conhecido como Tutuca, para comandar a pasta da Ancine referente ao Fundo Setorial Audiovisual. Edilásio é popularmente conhecido como Tutuca e conhecido por programas de televisão onde entrevista ricos, famosos e socialites. O FSA é um dos maiores incentivos monetários para o setor audiovisual brasileiro. Com o ano terminando, Bolsonaro ainda não aprovou o fundo de 2019, sendo que outros governantes costumavam assinar o mesmo documento que aprova os recursos em maio. Assim, em 2020, a produção e distribuição do cinema brasileiro fica comprometido.

No dia 19 de julho Bolsonaro transferiu o Conselho Superior do Cinema, do ministério da Cidadania para a Casa Civil. Na ocasião, o presidente atacou o longa “Bruna Surfistinha”, lançado em 2011 e que conta a história da ex-prostituta Raquel Pacheco: “Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não dá.” No dia 25 do mesmo mês Jair Bolsonaro disse em uma transmissão em seu Facebook que pretendia extinguir a Ancine: “Vamos buscar a extinção da Ancine. Não tem nada que o poder público tenha que se meter a fazer filme”. O presidente

A decisão de retiradas de cartazes revoltou cineastas, atores e atrizes que protestaram em suas redes sociais publicando cartazes de grades sucessos do cinema nacional deste e de anos anteriores. Kleber Mendonça Filho, diretor de Bacurau fez em seu Twitter uma analogia com a British Film Institute, entidade reguladora do cinema britânico: “Imagine a BFI removendo pôsteres de filmes que eles mesmos trabalham para promover”. Em forma de protestos muitos artistas publicaram em seu Instagram os pôsteres de seus filmes brasileiros favoritos. O cineasta Daniel Rezende e as atrizes Camila Pitanga e Barbara Paz foram alguns dos manifestantes na rede.

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