CRÍTICA: Frozen 2 – Menos chiclete, igualmente bonito

A continuação do estrondoso sucesso da Disney tem uma história simples e efetiva que não vai pro lado megalomaníaco e prefere uma introspecção.

De volta à infância de Elsa e Anna, as duas garotas descobrem uma história do pai, quando ainda era príncipe de Arendelle. Ele conta às meninas a história de uma visita à floresta dos elementos, onde um acontecimento inesperado teria provocado a separação dos habitantes da cidade com os quatro elementos fundamentais: ar, fogo, terra e água. Esta revelação ajudará Elsa a compreender a origem de seus poderes.

A quase 7 anos atrás a Disney (que nem precisava) nos mostrou um novo clássico moderno: Frozen. A premissa de uma irmã tentando salvar a outra não era bem a novidade aqui, porém a ausência de elementos normais como um príncipe salvando o dia foi tirada para colocar apenas um amor familiar. Juntamente com músicas poderosas como “Você quer brincar na neve” e “Livre Estou” o longa se firmou como uma das maiores marcas na história do estúdio quase instantaneamente. Hoje estreia a sequencia que veio para mostrar que o tempo fez bem a história.

Tentando nos apresentar um pouco mais do passado de Elsa e Anna, Frozen 2 já nos coloca na narrativa a insatisfação da agora rainha de Arendelle que por mais que ame a irmã se sente deslocada e insatisfeita em ficar no reino.

Isso nos leva diretamente a outra jornada de conhecimento, mas dessa vez não só uma descoberta pessoal de Elsa, mesmo que sendo totalmente a protagonista, vemos também um crescimento dos outros personagens: Anna se firmando como uma mulher independente que não mede esforços para poder salvar a todos sem a presença masculina, Kristoff mantém a essência do caipira apaixonado mas tenta também ajudar no crescimento de sua parceira sem tentar ofusca-la e Olaf percebe que a vida de um boneco de neve era para ser curta então se vê em uma crise existencial para saber como não ter medo de viver até se tornar “adulto”.

Quase uma década após o lançamento do original a missão de Frozen 2 era bem complicada: Reafirmar o poder de venda da marca e dialogar não só com as crianças (hoje pré adolescentes) que viram o primeiro mas também com toda uma nova leva de público.

Tomando uma decisão que parecia não ser muito sábia a Disney veio na contramão e ao invés de entregar tudo muito mastigado resolveu entregar algo muito mais maduro (embora não o suficiente para tirar a magia infantil da história) do que seu material original. O roteiro é bem direto, sem ter grandes reviravoltas e atualiza de uma forma EXTREMAMENTE divertida quem nunca viu o primeiro (se é que isso existe). O ponto fraco fica pelo excesso de pontas e personagens apresentados que nunca ganham foco como os trolls que aparecem DO NADA e os novos amigos das irmãs.

As músicas aqui tem uma estrutura muito similares com as do primeiro, incluindo arranjos o que é meio decepcionante em certo ponto, porém também contando com duas cenas sensacionais: Um número de Olaf que mais musical é impossível e a música “Lost In The Woods” (realmente não achei o nome em português brasileiro da música) que tem um tom satírico sobre boybands dos anos 90 maravilhoso. A música carro chefe, “In To The Unknow” ou “Minha Intuição” já está no top Billboard (mais tocadas dos EUA) tanto na versão de Idina Menzel (dubladora original de Elsa) e na versão “pop” cantada pelo Panic!At The Disco, ela não tem PRA MIM a mesma força de “Let It Go”, mas mantém a fórmula da música original tendo momentos de alternância na melodia e notas agudas potentes.

A nota ruim do filme além das músicas menos grudentas e a falta atenção aos personagens secundários infelizmente fica para a dublagem e adaptação brasileira. Sou um defensor assíduo da dublagem e da regionalização de materiais porém aqui o sentido das músicas, principalmente do número principal, é um desserviço. Veja bem: In to the unknow significa “rumo ao desconhecido” e na versão tupiniquim ficou “minha intuição” como já mencionado. Percebam que isso tira bastante a força do discurso de se arriscar e coloca em um destino ou força sobrenatural os poderes de decisão de Elsa. Além do fato da voz de Taryn Szpilman é estranha ao cantar ficando muito anasalada (Idina canta assim também porém com muito menos afetação que a intérprete brasileira) e já no primeiro filme alguns agudos adaptados por causa da fonética ficam bem estranhos.

O resto dos dubladores todos numa boa com exceção a Fábio Porchat que sabe se impor na dublagem de Olaf quase me fazendo esquecer que o ator conhecido por seus trejeitos cocaínoma (expressão do teatro para quem é extremamente energético em cena) fazendo uma atuação doce e simples.

Dirigido por Jenifer Lee (Uma Dobra No Tempo) e Chris Buck (Tá Dando Onda) e estrelado por Kristen Bell (Veronica Mars), Idina Menzel (Glee), Jonathan Groff (Mindhunter), Josh Gad (Angry Birds 2) entre outros o filme estreia no Brasil dia 02 de janeiro de 2020.

NOTA: 3.5/5

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