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Dica de Quarentena | ‘Homecoming’ e a beleza de sua tensão

Sem lançamentos aguardados ou divulgações pomposas, Homecoming, série da Amazon Prime é bem mais do que se imagina. O hype da produção não corre de boca em boca como outros nomes da plataforma de streaming, mas sua qualidade não deixa a desejar em nada e pode surpreender muitos desavisados.

Isso, porque não é uma série mainstream. Homecoming tem suas peculiaridades na narrativa, na estética e na direção que a tornam uma produção que foge do comum. Criada a partir de um podcast de mesmo nome e pensada por Sam Esmail (Mr. Robot), a série tem um elenco excelente, encabeçado pela também produtora executiva, Julia Roberts.

Em sua primeira temporada, Roberts é Heidi Bergman, uma terapeuta que participa de um programa com soldados que retornam do combate fora dos EUA. O objetivo, a princípio, é fazê-los esquecer traumas que a guerra gerou. Mas, ao mesmo tempo, o futuro de Heidi é mostrado e algo deu errado, já que ela não tem memória do antigo trabalho.

O mistério do plot é ainda melhor pela forma que Esmail explora a história. A fotografia usada na série é um show a parte, com enquadramentos fantásticos, abusando dos zooms que valorizam a arquitetura das locações, uma estética fria e uma trilha sonora que a complementa de forma primorosa. Além disso, passado e futuro ainda são retratados de forma diferente, com uma dimensão de tela que muda de acordo com o tempo.

Com uma narrativa que se mostra arrastada e em conjunto com todos as escolhas de produção citadas acima, a série parece flertar com uma pegada do cinema dos anos 90. Mas não se assuste! Essas escolhas tornam o mistério em torno do projeto Homecoming ainda mais tensos e a curiosidade em saber o que aconteceu com Heidi e seu paciente Walter Cruz (Stephan James) é crescente a cada episódio.

A primeira temporada conta com 10 episódios, em média com meia hora e que ao final, deixam algumas questões em aberto sobre o futuro da companhia que coordenou o Homecoming, a Geist, além do rumo de personagens. Foi por isso – aliado ao sucesso do primeiro ano – que a série retornou para a segunda temporada, agora comandada pelo diretor Kyle Patrick Alvarez e estrelada por Janelle Monaé.

Buscando explicar o fechamento da primeira temporada e, ao mesmo tempo, amarrando com a história de novas personagens, o novo plot é igualmente misterioso, mas com uma narrativa simplificada.

Monaé dá vida à uma mulher que acorda em um barquinho à deriva num lago sem saber quem é. Ao passo em que acompanhamos sua corrida para descobrir sobre sua vida, vemos como uma personagem de pouco destaque da primeira temporada, Audrey Temple (Hong Chau), se torna uma pessoa influente na Geist.

Assim como na primeira temporada, o segundo ano também envolve as dúvidas acerca da memória e as consequências de experimentos com o ser humano. Em menos episódios – apenas sete – e com uma produção tão afiada quanto a de Esmail, a série mantém o nível de qualidade, segue com o suspense e amarra bem plots abertos.

Além disso, o elenco recebe reforços de peso, como Joan Cusack e Chris Cooper. E mesmo com a falta do artifício de mudança de tempo, as questões da temporada não perdem força e são muito bem retratadas pela direção distinta de Alvarez, que aproveita algumas peculiaridades de Esmail, porém com sua própria identidade.

Pouco badalada, Homecoming é uma ótima surpresa para quem se deixa envolver em histórias que buscam esconder seus mistérios de forma sutil e vão fornecendo com muita eficácia os pedaços de um quebra-cabeça instigante. Isso, sem contar com a contínua beleza da estética de cada episódio e sua forma de contar essa história.

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