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O rajadão é pop: a evolução da música popular brasileira (parte 2)

Globos de boate, roupas coladas, feixes de luz, saltos plataforma e noites agitadas. A década de 1970 despontou como o início de uma nova era em termos culturais e sociais. Cada vez mais começaram a surgir as discotecas, do francês discothèque, lugares em que não se tocava música ao vivo. Ambientes fechados e com pouca iluminação, as discotecas se tornaram lugares fervorosos em que as pessoas se sentiam livres para vivenciarem novas experiências e permitirem que a sua sexualidade aflorasse.

Não demorou muito para que esses lugares, extremamente populares nos Estados Unidos, se tornassem um refúgio para a população negra e latina que queria aproveitar os embalos das noites sem sofrer perseguições ou discriminações de todos os tipos. Logo se juntaram a esses grupos membros das comunidades gays locais.

A influência do funk e da música psicodélica marcou o estilo das faixas mais populares nas baladas. Artistas como Gloria Gaynor, Donna Summer, Bee Gees, ABBA e os Jackson 5 se tornaram figuras recorrentes nas paradas musicais e ajudaram a popularizar a disco music em diversas camadas da sociedade norte-americana e europeia. Dentre esses artistas, chama atenção a longevidade e o sucesso do grupo sueco ABBA, que tem uma estimativa de mais de 150 milhões de discos vendidos no mundo e, inclusive, previsão para lançamento de material inédito ainda em 2020:

Os anos finais da década de 1970 representaram o apogeu da disco music. Com o sucesso do longa norte-americano Saturday Night Fever, estrelado por John Travolta em 1977, todo mundo queria ser uma dancing queen ou um dancing king. Na velocidade da luz, eis que novos tipos de arranjos e de efeitos sonoros começaram a fazer parte das canções, tudo isso graças aos avanços tecnológicos que começaram a ser aplicados na gravação de LPs. No Brasil, a disco music estourou com o sucesso da novela global Dancin’ Days, lançada em 1978, e que tinha como um dos cenários principais uma danceteria homônima. Essa grande repercussão abriu espaço para alguns artistas nacionais cujo som chegava a ser sofrível, como o grupo “As Frenéticas”:

Conteudisticamente, as letras das canções transitavam entre o desejo de ter alguém para amar (ou dançar) ardentemente a canções revestidas de um sutil duplo sentido. A popularização de algumas drogas ilícitas, como a cocaína, pareceu influenciar a significação de algumas composições da época, o que chegou a ser negado, posteriormente, por alguns artistas internacionais e até mesmo brasileiros.

Como tudo o que é bom dura pouco, os anos iniciais da década de 1980 foram cruéis com a disco music. A popularidade da rock music e do movimento punk começou a ofuscar as lantejoulas e paetês das discotecas espalhadas pelo mundo. Cobrava-se dos cantores e cantoras uma postura ainda mais rebelde e menos superficial e consumista, o que começou a ser incorporado por artistas mais populares, como se pode ver na discografia do ABBA em The Visitors (1981), o último disco de inéditas da banda. Abria-se caminho, aí, para a popularização de guitarras, baladas românticas e sons ainda mais obscuros e experimentais que solidificaram a base da indústria fonográfica nacional e internacional nos anos 80.

Continua…

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Laurenci Esteves Ver tudo

Escritor, professor e gaymer. Leonino apaixonado por cultura pop e por chocolate. Instagram: @quatryx

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