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REVIEW – A beleza e o capricho na tela que fazem Euphoria imperdível

Em 2019, quando um trailer específico chamava a atenção dos espectadores sempre antes dos episódios da última temporada de Game of Thrones, pouco se sabia sobre aquela série que a HBO iria lançar. Adolescentes correndo, ambientes pouco iluminados, confusão em tela: era o que se observava nos poucos segundos dos teasers. Euphoria era uma incógnita, mas quando estreou, se mostrou uma autêntica produção do canal.

História forte, cenas pesadas, nudez, sexo, drogas, pouca censura. A HBO não tem medo de mostrar esse tipo de coisa em suas séries e, mesmo em uma produção sobre adolescentes, não abriu mão de suas características. E talvez esse seja justamente o fator que fez com que Euphoria tenha sido tão bem recebida. Nas mãos de outros produtores, talvez a trama teria tido uma condução mais comum, e o que se vê nos oito episódios da primeira temporada é tudo, menos comum.

A história da jovem Rue – interpretada brilhantemente por Zendaya -, que desde cedo se envolveu com um vício perigoso e que quase tirou sua vida em uma overdose, se mistura com as tramas secundárias que são tão (ou até mais) atrativas que a da própria protagonista. Os adolescentes que compartilham a escola e algumas amizades são mostrados vivendo dramas e dilemas com todo aquele tempero dessa fase conturbada da vida, mas que muita gente grande não daria conta.

Desde o problema com as drogas de Rue, até a história de Jules, uma garota trans e os seus desafios quanto à sexualidade e relacionamentos, passando pela família problemática de Nate e a forma como o jovem lida com os segredos de seu pai e como sua criação o afetou psicologicamente… São muitos os pontos interessantes abordados pela série. Temas importantes de serem debatidos e que são retratados sem suavidade, mas com coerência dentro da proposta do show.

Ainda há espaço para relatar diferentes amizades, abusos, aborto, responsabilidade afetiva e por aí vai. É até curioso como em apenas oito episódios Euphoria consegue abranger tantos assuntos pertinentes amarrados em uma trama adolescente. E melhor ainda, o roteiro consegue ser redondinho mesmo focando na história de um personagem por episódio – isso sem esquecer das outras narrativas, claro.

E falando em narrativa, a condução de Euphoria é de encher os olhos. A produção não economiza nos caprichos e conseguiu criar um estilo único para a série, que conta com uma direção marcante e cheia de ótimas surpresas. Talvez essa parte técnica do show seja a que mais se destaque, por ser responsável pelo tom e pela apresentação da história, a tornando muito mais atrativa e envolvente do que o esperado.

Desde a iluminação diferentona presente em quase todos os episódios, a direção sempre explora planos, montagens e sequências incríveis. É notável que esforços não foram poupados para fazer uma série cool, com as escolhas mais desafiadoras e que deixariam as cenas bem mais interessantes de se assistir. Em Euphoria há um compilado delas. São cenas a princípio sem muita importância, mas que agregam demais no estilo e no visual do show.

Soma-se a isso uma trilha sonora certeira e uma maquiagem que virou tendência e fica difícil apontar erros na produção da série. O resultado é uma história compacta e coesa do início ao fim e que ainda conta com atuações maduras dos jovens atores. Com muitas caras novas, mas alguns nomes mais conhecidos, o elenco traz um equilíbrio interessante, com interpretações muito boas.

Além de Zendaya, indicada ao Emmy de Melhor Atriz em Drama, e Eric Dane (Grey’s Anatomy), Euphoria projeta nomes desconhecidos e que se destacaram em seus papeis, como Barbie Ferreira, Sidney Sweeney e Hunter Schafer, além de dar oportunidade a Jacob Elordi mostrar uma face totalmente diferente do que o ator mostrou no filme adolescente da Netflix, A Barraca do Beijo.

Renovada para a segunda temporada, que ainda não tem previsão, principalmente por conta do Coronavírus, a série deixou um gancho importante para a próxima leva de episódios. Além disso, ainda conseguiu finalizar o primeiro ano com uma cena muito atípica e surpreendente em séries de TV e que enche os olhos de quem gosta de coisas diferentonas.

Disponível na HBO GO, a série conta com oito episódios de quase uma hora de duração, mas que são dignos de uma maratona daquelas. Fácil de se envolver com os personagens e com as características únicas de sua produção, Euphoria é uma dica para quem gosta de observar os detalhes amarrados a uma boa história – que fazem justamente essa história ser ainda melhor.

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ceciliaedu Ver tudo

Jornalista teresinense em São Paulo. Amante de cultura pop e esportes.

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