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REVIEW – Dark e o prazer de desvendar uma trama complexa e rica

Já fez um mês que a terceira e última temporada de Dark estreou na Netflix e ainda é possível ver certo burburinho sobre o desfecho da história que ultrapassou as barreiras germânicas e conquistou uma forte fanbase ao redor do mundo. Possivelmente, à essa altura, os fãs da série já assistiram – e até mesmo reassistiram – ao ato final do show, então esse texto é pra você, que ainda não deu uma chance para a série que muita gente ama e outras tantas amam odiar.

Afinal de contas, nem todo mundo gosta de viagem no tempo. É um assunto confuso, seja como for retratado. Adicione existencialismo, determinismo, muitos paradoxos e voilá: essa é a receita básica de Dark. Nada básico, para falar a verdade, mas de alguma forma, todos esses elementos juntos com uma produção inquestionável e um roteiro amarrado e seguro conseguem construir um enredo forte e envolvente.

Para completar, a história que se passa na cidade fictícia de Winden, tem mais elementos sentimentais do que o esperado. Ao final da série, se entende que amor e dor são os maiores culpados da trama. E isso não é nenhum spoiler, já que de amores e dores ela é cheia. 

Se você não sabe nada nadinha do que trata Dark, a história parte de um evento que envolve adolescente e crianças desaparecendo na pacata cidade alemã, que tem como principal atividade econômica uma usina nuclear (fator imprescindível para que a série exista). 

Quando Mikkel, o filho de um policial de Winden some sem deixar rastros poucas semanas depois de outro adolescente também evaporar, uma mobilização geral começa, o que inclui Jonas, a última pessoa a ver Mikkel antes do seu sumiço. O protagonista da série é o primeiro a descobrir a tal viagem no tempo e, a partir dele, somos apresentados a muitos desdobramentos desse fenômeno.

E é no momento em que vamos conhecendo mais linhas temporais e vários personagens em diferentes idades que um pequeno nó na cabeça começa a se formar. É fato, a história é complexa por isso e também pelos pensamentos filosóficos embutidos nas ações de cada pessoa e as consequências que elas levam à trama. Mas se apegar principalmente ao que não se entende é ir por um caminho mais difícil e pouco atraente de se assistir Dark.

A não ser que você seja um expert em viagem no tempo, determinismo e afins, lhe digo que, muito provavelmente, não vai pegar todos os significados de primeira. E tudo bem. Dark precisa ser absorvida, pensada e discutida para que as soluções comecem a aparecer. É o tipo de série para os amantes de um bom desafio para encaixar todos os acontecimentos.

E para quem se dá a chance de conhecer essa história, ao longo das três temporadas, se depara com um emaranhado de causas e consequências bem arquitetados, que vão ganhando sentido e razão a partir do momento em que se descobre o que há por trás de cada ação. Essa descoberta, claro, nem sempre é mostrada da forma mais simples ou racional. De fato, para se gostar da série, é preciso ter uma cabeça aberta para os caminhos e explicações apresentados.

Ainda sobre a maneira que a história é conduzida, uma forte característica que vai se revelando crucial para os acontecimentos de Dark é o tal do livre-arbítrio. Esse é outro ponto levantado em sua forma mais básica e explorado de forma filosófica diante do destino dos personagens, que às vezes parecem uma coisa e depois se mostram diferentes – ou não.

Isso sem falar na produção, que é destaque em muitos aspectos. Direção, fotografia e trilha sonora são primorosas e, na última temporada, o nível de preocupação nos detalhes para incrementar a história é ainda mais louvável. Mas o que mais impressiona é o trabalho de casting feito, já que na série muitos personagens são retratados em mais de uma época da vida, sempre com 33 anos de diferença. Ou seja, alguns personagens são interpretados por três atores diferentes e a semelhança física entre eles é incrível. Sério.

A riqueza de detalhes e de toda essas preocupações da produção aumentam ainda mais o valor e a importância da série na televisão dos últimos anos. Com uma história enxuta, que não se vendeu para um caminho mais longo e lucrativo – afinal, o sucesso poderia ter rendido mais temporadas – e uma escola diferente da americana e da britânica, Dark é uma fuga do comum e um mergulho no extraordinário.

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ceciliaedu Ver tudo

Jornalista teresinense em São Paulo. Amante de cultura pop e esportes.

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