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Review | Com ótimo encerramento, 3ª temporada de ‘Baby’ mostra como é possível continuar após um trauma

Cuidado! O texto abaixo contém spoilers da série. 

No dia 18 de setembro, a Netflix lançou a última temporada de Baby, série italiana original da plataforma de 2018. A história é focada nas jovens Chiara (Benedetta Porcaroli) e Ludovica (Alice Pagani) que, apesar de parecerem ter tudo e estudarem no melhor colégio da cidade, começam a fazer parte de um esquema de prostituição para (à princípio) se divertirem gastando o dinheiro juntas em Roma. 

Baby é baseada em um caso real que aconteceu na Itália em 2014 e ficou conhecido como Caso Baby Squillo, envolvendo uma menina de 14 anos e outra de 16, que realizavam programas para comprar artigos de luxo, roupas de grife e celulares caros. Os pais de uma delas começaram a suspeitar que a filha estivesse envolvida em atividades do gênero por conta da alta quantia de dinheiro arrecadada, e uma investigação foi iniciada. As autoridades descobriram que as garotas ganhavam mais de 500 ou 600 euros por dia e que elas tinham sido aliciadas por um homem que havia garantido dinheiro fácil. Além disso, foi revelado que a menina mais nova foi forçada pela mãe a continuar se prostituindo para ajudar a contribuir com as despesas da casa. 

A terceira temporada chega dando continuidade ao final polêmico em que Damiano (Riccardo Mandolini) descobriu toda a verdade sobre Chiara se prostituir; ela, por sua vez, além de ter conseguido chantagear Brando (Mirko Trovato) com um vídeo de seu pai se envolvendo com uma acompanhante menor de idade, convenceu Ludovica a continuar dentro do esquema comandado por Fiore (Giuseppe Maggio), após esta ter sido perseguida por um homem assustador (contratado por seu ex) e assediada por seu professor. Paralelamente, a homossexualidade de Brando é revelada para todos no colégio, Niccolo (Lorenzo Zurzolo) é enganado por sua namorada que diz estar grávida e Fabio (Brando Pacitto) finalmente parece encontrar o amor com o início do namoro com Alessandro (Ludovico Succio).

Diferentemente do começo da série, em que as meninas encaravam o esquema de prostituição mais como uma “aventura” da qual tinham o controle, essa temporada traz à tona o choque de realidade das personagens em meio à situação que se envolveram, especialmente Ludovica, que é retratada de forma ainda mais “frágil” e pedindo desesperadamente por ajuda em meio a tudo que está vivendo: a negligência da mãe, Simonetta (Isabella Ferrari) perante a situação, a insistência de Fiore para que ela continue no esquema e reate o relacionamento com ele, além de todo o seu esgotamento emocional, sentindo-se totalmente incapaz de terminar os estudos e ter uma perspectiva de vida, encontrando consolo nas drogas. 

Ao longo dos seis episódios, também podemos ver o amadurecimento de Chiara, apesar de no início parecer ter “aceitado” e “se acostumado” a encontrar-se com homens mais velhos em troca de dinheiro, mesmo que isso signifique o fim de seu relacionamento com Damiano. A partir do momento que todo o colégio descobre que também há uma garota ali que se prostitui, Chiara enfim toma consciência de que precisa encerrar essa fase tóxica de uma vez por todas. Apesar de continuar agindo por impulso, não se importando com a carreira política da mãe, ela apresenta uma das grandes evoluções de sua personagem quando decide fazer uma live contando toda a verdade para salvar sua melhor amiga. 

Além de ter sido bem fiel ao caso real da prostiuição, Baby explorou também outras temáticas ao longo de suas primeiras temporadas, como o uso de drogas na adolescência, relacionamento entre aluno e professor, relações abusivas e a sexualidade, sendo esta última um dos destaques da terceira temporada graças a Brando, que finalmente se aceita como gay e assume seu amor por Fabio, abrindo mão inclusive de sua estrutura familiar. Outro destaque em termos de evolução de personagem é Niccolo, que se mostra completamente solícito e determinado até o fim para ajudar Chiara a deixar a prostituição.

Se em todos os episódios houveram surpresas e plot twists, o último soube encerrar a série com maestria, mostrando o julgamento e a condenação de Fiore e Simonetta, e os respectivos e coerentes finais de Fabio e Brando juntos e Damiano dando início a um novo capítulo de sua vida com um relacionamento mais saudável. Com Chiara no abrigo como forma de punição pela história de Sofia, encarando as consequências de seus erros, e Ludovica enfim conseguindo se formar e indo para a faculdade de arte em Paris, Baby mostrou como a vida continua (de uma forma ou outra) para as vítimas de abusos e que, apesar de separadas, as duas amigas continuarão para sempre ligadas por tudo o que viveram juntas e pelo amor que sentem uma pela outra.

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