Chega nesta sexta-feira, 09 de abril, nas plataformas digitais de streaming, o longa-metragem “Meu Pai”, dirigido pelo francês Florian Zeller. Estreando no cinema em grande estilo, com direito a indicações em todas as premiações do awards season, Zeller narra uma jornada trágica de um idoso à demência e o impacto da doença na vida de sua filha. 

O filme é adaptado da peça homônima, que esteve em cartaz durante o ano de 2012 e rendeu o Tony Awards de Melhor Ator para Frank Langella. Apesar da grande concorrência, há quem espere que Anthony Hopkins, protagonista da versão cinematográfica, recebe a estatueta equivalente no Academy Awards; mas nesta categoria, o favorito continua a ser Chadwick Boseman por seu papel em “A Voz Suprema do Blues”. 

Quando se trata de adaptação de teatro, é preciso tomar muito cuidado com a forma que essa história vai ser contada. Não basta trazer a peça para a tela grande, mas sim pensar em como transformar aquela linguagem de palco em cinematográfica. Em “Meu Pai”, a edição com cortes precisos e a construção do cenário são responsáveis por conduzir o espectador em uma experiência que não mais se relaciona com o texto teatral, mas sim com os códigos da sétima arte.

Além dos truques de montagem, o roteiro (adaptado por Christopher Hampton) não serve apenas de guia para o elenco, mas também para a audiência. O conjunto de fatores é o que faz quem está assistindo experimentar a sensação de demência. O uso de distorção do espaço e tempo cria o sentimento de empatia não apenas por Anne, que precisa lidar com a situação trágica de seu pai, mas também por Anthony que não consegue mais desenvolver linhas de raciocínio coesas. 

A soma das escolhas artísticas de Florian ocasionam uma deturpação linear da narrativa sem perder as características de um drama familiar. O segredo é o equilíbrio entre o real e o contraditório que obriga o espectador sair da posição de receptor e participar do filme como um personagem com a necessidade de desvendar o que de fato é concreto dentro deste relato.

É nítido o preparo de Zeller para dirigir “Meu Pai”, afinal o francês é o idealizador da peça original. Mas além de suas ideias para a fabricação plástica da obra, é preciso também enfatizar um pilar importante do filme: as interpretações. Colman e Hopkins fazem parecer que ser ator é um ofício simples. Mas não é! Ambos são tão treinados e carregam um repertório imenso de atuação e memória afetiva, que seguir a própria intuição é o suficiente para uma misancene mais que satisfatória. Sem uma performance preparada, todos os artifícios impostos pela direção trariam distrações em um resultado catastrófico, porém tanto Olivia, quanto Anthony são geniais e interagem bem com os recursos oferecidos.

O apartamento, o público e os protagonistas foram os elementos principais inseridos por Florian Zeller e Christopher Hampton em “Meu Pai” que auxiliaram, não só no processo de adaptação, como também na criação de um ambiente cativante para quem está assistindo. Apesar do caos proposto pela obra, é inevitável dizer que o filme se resume nas emoções que são performadas nas interpretações e nas que são sentidas pela audiência.

NOTA: 5/5

Escrito por Guilherme Fagundes