Crítica | Army of the Dead: tudo que já vimos de Zack Snyder em um só filme

Foi lançado na Netflix o aguardado retorno de Zack Snyder a suas raízes, os “Zumbis”. Em 2004, “Madrugada dos Mortos” foi o longa que lançou o diretor para o mercado de Hollywood, e para alguns o melhor trabalho autoral de Snyder, e “Army of the Dead” é a sua tentativa de voltar às origens com um olhar diferente depois de 17 anos.

História: Las Vegas vira o ponto zero de uma invasão zumbi e é isolada do mundo. Liderados por Dave Bautista(Guardiões da Galaxia) um grupo encara o desafio de entrar na cidade e recuperar 200 Milhões de Dólares de um casino e sair antes de que a cidade seja destruída.

Escrito, dirigido e assinado por Snyder, o novo longa tem como principal característica ter tudo o que vimos durante os anos com o diretor, tantos os acertos como os erros, sendo digno do termo “assinado por”. 

O visual do filme é muito bonito, as tomadas da cidade, as cenas de ação realmente são um diferencial do diretor e o filme não deixa a desejar, por se denominar um diretor/câmera fica clara a preocupação com a imagem para o expectador.

Já em relação a enredo e roteiro vemos claramente o ponto fraco, mesmo com as quase 2 horas e meia de filme, nos não temos uma boa construção de personagens, talvez por querer dar uma profundidade exagerada para o que deveria ser uma aventura de ação e roubo sem precisar criar todo um “background” para os protagonistas que realmente não funciona, e o tempo prolongado do filme só deixa mais claro essas falhas, são personagens legais, mas com um desenvolvimento muito fraco.

O ponto alto do filme sem dúvida são os Zumbis, uma comparação com “Zumbilandia 2” de 2019, que também trouxe essa temática de criaturas mais espertas, fortes e desenvolvidas, Snyder realmente acerta, o prólogo explicativo do universo é talvez a melhor parte do filme, agitado, claro e nos mostra como a cidade virou o que é. Destaque em termos de qualidade, a sociedade dos Zumbis é cativante desde o princípio, nos é apresentado uma nova forma dessas criaturas já tão enraizadas na cultura pop, como se comportam, seus relacionamentos, realmente uma sociedade funcional. Facilmente um filme mais curto e com foco nos monstros seria muito mais interessante, muitas características que foram descritas e que não ocorreram no filme decepcionam um pouco quem gostaria de ter visto mais deles.

O filme traz com sigo a bagagem que Zack Snyder acumulou durante esses 17 anos, e de quase uma década envolvido com a DC em seu universo de super-heróis. O retrato da ideia do diretor de mais tempo para desenvolver a história continua sendo um problema, a dificuldade de organizar suas ideias para fazer contar uma história mais clara e dinâmica, com construção desnecessária de personagens e ganchos e  indicações dentro da história que ou não acrescentam, não são entregues ou que prepara uma possível continuação são os pontos mais incômodos do filme, mas a estética é ideia básica de universo são muito boas. Como provavelmente a Netflix fará uma continuação, só podemos esperar uma evolução que tem tudo para ser interessante.

Então se você é fã de Zumbis, gosta de aventura e gosta do diretor, você vai se divertir com Army of the Dead.