CRÍTICA | Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio – Novela com demônio

Invocação do Mal decide focar no casal principal e adere um drama desnecessário ao que poderia ser sua melhor história.

Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio revela uma história assustadora de terror, assassinato e um desconhecido mal que chocou até os experientes investigadores de atividades paranormais Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga). Um dos casos mais sensacionais de seus arquivos, começa com uma luta pela alma de um garoto, depois os leva para além de tudo o que já haviam visto antes, para marcar a primeira vez na história dos Estados Unidos que um suspeito de assassinato alega ter tido uma possessão demoníaca como defesa.

Quando James Wann, o gênio do terror moderno, decidiu abandonar o barco da direção de Invocação do Mal 3 a coisa deveria ter ligado um sinal amarelo na produção por conta de uma possível quebra de qualidade na franquia e infelizmente ela veio. A bomba de dirigir caiu no colo do diretor Michel Chaves do sofrido “A Maldição da Chorona” que tentou bastante e não foi de todo mal, só foi… nhe.

Como a sinopse diz o filme se baseia em um caso real, que é polêmico por si só: Rapaz matou do locatário da casa onde sua namorada a facadas e no dia que foi preso se assumiu culpado, porém no dia seguinte após as visita do casal Warren negou que fosse culpado e disse que foi um demônio que o fez matar. Esse caso foi muito famoso nos EUA pois além desse mistério, foi cometido em uma cidade que até então, era extremamente calma e nunca tinha tido um assassinato assim. Livros e séries foram feitas, processos contra Ed e Lorraine foram abertos inclusive pela família acusando os dois de tentar ganhar mídia.

Tem tudo pra dar certo na adaptação correto? Pois é, não foi bem assim.

O filme tenta replicar os aspectos dos outros filmes, gerando a tensão familiar durante um ato de exorcismo, a calma posterior, a volta do perigo, descoberta do inimigo real até o desdobramento final. No final das contas, roteiros de Scooby Doo e de filmes de possessão tendem a ser bem similares, pensando aqui comigo.

O que faz o filme não ser uma completa perda de tempo é justamente o que mata seu terror: O drama.

Patrick Wilson e Vera Farmiga são a alma dessa produção inteira. Eles são a franquia e tudo de bom nesse filme passa diretamente pela versão deles do relacionamento dos Warren. A química estabelecida trás um casal que tem cumplicidades absurdas e fortes, a troca de olhares dos atores convence a todo momento que eles estão a procura do melhor para as pessoas, mas principalmente um para o outro.

No que vai ao sentido de sustos e terror o filme não entrega muito, monstros genéricos e sustos previsíveis e sem graças. A reviravolta é meio sem nexo e só jogada na trama, mas existe algo nessa franquia que faz tudo isso parecer pertencer a ela. É um tosco bem feito que não chega a me desagradar por completo, mas passa longe de filmes mais tensos de possessão como Emily Rose por exemplo, me mostrando que talvez o caminho da franquia (e seus derivados) seja realmente essa mistura de elementos mundanos com um dramalhão, uma versão de Sobrenatural mais pesada talvez?

Se James Wann voltar, seria uma coisa maravilhosa a franquia, o próprio se assume brega em diversos momentos, como no próprio Aquaman (que é uma breguice pura porém lindo) e conseguiu explodir de sucesso, mas talvez a franquia não patine tanto sem ele. O certo é que Patrick e Vera sigam e tenham um mínimo de roteiro para eles atuarem, para salvar um filme não tão bom e seguir dando aos fãs o que eles querem, mais dessa franquia que vai além de sustos.

Dirigido por Michael Chaves (A Maldição da Chorona) e o elenco contando com Patrick Wilson (Aquaman), Vera Farmiga (Godzilla Rei dos Monstros), Ruairi O´Connor (The Morning Show) entre outros e estreou no Brasil no dia 3 de Junho de 2021.

NOTA: 3/5